Avaliação do Centro Administrativo do DF é R$ 100 milhões abaixo do anunciado por Ibaneis

O Centro Administrativo do Distrito Federal, com 182 mil metros quadrados e 16 prédios, foi avaliado em R$ 491 milhões pela administração local, valor que representa R$ 109 milhões a menos do que o anunciado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) em dezembro do ano passado. Este imóvel, que deveria abrigar a sede do governo e permanece desocupado, é parte de um complexo jurídico complexo que se estende por mais de uma década. Nos últimos desdobramentos, a gestão atual utilizou o bem como garantia para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, destinado a tentar estabilizar o Banco de Brasília (BRB).

A situação do BRB é crítica, em meio a uma investigação por ter adquirido R$ 12,2 bilhões em créditos considerados problemáticos do Master, conforme informações da Polícia Federal e do Banco Central (BC). O laudo técnico elaborado pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) foi finalizado em outubro, após cinco dias de inspeções realizadas por engenheiros da estatal, e sua validade se estende até abril de 2024. Entretanto, o governador havia, anteriormente, atribuído à Terracap a avaliação de R$ 600 milhões para o mesmo imóvel, situado em Taguatinga, a cerca de 30 quilômetros do centro da capital federal.

Apesar das tentativas de esclarecimento, tanto o governo do DF quanto a Terracap não se manifestaram sobre a situação. Em resposta a um pedido da Lei de Acesso à Informação, a Secretaria de Economia do DF negou a existência de dados a respeito da avaliação do imóvel.

Laudo técnico aponta problemas estruturais significativos

O laudo em questão destaca uma série de falhas nas edificações, incluindo partes das obras que permanecem inacabadas. De acordo com o relatório, os termos “fissuras” e “infiltrações” aparecem numerosas vezes, evidenciando a magnitude dos problemas. Por exemplo, no principal edifício do complexo, que deveria ser a sede do gabinete do governador, há falta de revestimento no piso, além de infiltrações evidentes. O documento ainda menciona que várias paredes estão com fissuras e trincas, incluindo uma na coluna que sustenta a escada central.

O Centro de Convenções, projetado para acomodar até 2,5 mil pessoas, também não escapa das falhas, apresentando diversas fissuras, infiltrações e trincas importantes. O complexo conta ainda com uma capela, uma praça cívica, um prédio destinado a garagens e quatro edificações de 16 andares cada.

BRB enfrenta dificuldades financeiras e busca recuperação

O BRB continua a enfrentar um rombo significativo após a aquisição dos créditos do Master. Além disso, o banco solicitou um aporte de até R$ 8,86 bilhões para recuperar seu capital, o que evidencia a gravidade da situação financeira. Um mês antes do colapso do Master, a gestão de Ibaneis já havia iniciado um plano para utilizar imóveis públicos como meio de aumentar o capital do BRB, conforme um parecer da Procuradoria-Geral do DF elaborado em outubro.

Na época, o Banco Central havia reprovado a compra dos créditos problemáticos pelo BRB, que já lidava com um rombo considerável após a aquisição de R$ 12,2 bilhões em ativos ruins. O plano de oferecer imóveis como garantia para o empréstimo para salvar o BRB se torna ainda mais urgente, dado o prazo até 31 de março para que o banco apresente seu balanço e uma solução para reequilibrar seu patrimônio. A falta de ação poderá resultar em restrições, como a proibição de abrir novas agências e expandir operações.

Déficit crescente no governo do DF

Em um cenário mais amplo, o governo do Distrito Federal enfrenta uma escassez de recursos. Em 2025, o déficit atingiu R$ 926,5 milhões, um aumento em relação aos R$ 644,7 milhões registrados em 2024. As finanças públicas estão sob pressão, com despesas não pagas acumulando e competindo por espaço no orçamento em um ano onde o governo busca melhorar suas contas. Este quadro complicará ainda mais as ações da administração Ibaneis no último ano de seu mandato, que se encerra em 2026.

Share.
Exit mobile version