Auditores Fiscais Reagem a Declarações do Governador

Auditores da Receita do Distrito Federal (DF) emitiram, nesta sexta-feira (9), uma nota em resposta às declarações do governador Ibaneis Rocha (MDB), que afirmaram que a capital enfrenta uma crise orçamentária atribuída, em parte, a uma suposta queda na arrecadação de impostos.

A Associação dos Auditores Fiscais do DF (Aafit) destacou que, entre janeiro e novembro de 2025, a arrecadação de impostos alcançou R$ 24,14 bilhões, um aumento de 6,6% em comparação ao mesmo período de 2024. Considerando a inflação, a alta real é de 1,6%, segundo os auditores.

A nota da Aafit reconhece que existem outros “desafios econômicos” mencionados por Ibaneis, como a alta taxa básica de juros e a desaceleração de setores econômicos. No entanto, a entidade refuta a noção de que a arrecadação esteja em queda, afirmando que “é fundamental esclarecer que a arrecadação tributária não é a causa da piora nas contas públicas do DF”. A Aafit enfatiza que a realidade indica uma arrecadação forte e crescente, o que representa um fator positivo para os cofres distritais.

A Aafit acrescenta que “o desempenho positivo da arrecadação tributária do Distrito Federal evidencia que a sustentabilidade fiscal pode e deve caminhar junto com a preservação e o fortalecimento das políticas públicas fundamentais”.

O g1 entrou em contato com o Palácio do Buriti para obter um posicionamento sobre os dados apresentados pela Aafit e aguarda uma resposta.

Secretaria de Economia e Perspectivas Futuras

No dia anterior, em nota ao g1, a Secretaria de Economia do DF informou que, embora algumas receitas tenham se mostrado inferiores ao que havia sido projetado, foram tomadas medidas para estimular a atividade econômica. Entretanto, a secretaria não especificou quais receitas foram afetadas e quais remanejamentos estão sendo planejados.

Nas últimas semanas, Ibaneis Rocha tem adotado um tom mais contundente ao falar sobre a crise nas finanças públicas da capital. Ele tem mencionado repetidamente um cenário econômico desafiador, especialmente ao discutir problemas como o atraso nos repasses ao Hospital da Criança de Brasília, uma situação inédita que só foi resolvida após intervenção judicial.

O governador declarou: “Não existe perspectiva de melhora da economia. Juros muito altos atrapalham os investimentos e o consumo”. Em uma aparição na quarta-feira (7), Ibaneis já havia mencionado a necessidade de “manter o cinto apertado” em relação aos gastos da Saúde para 2026.

Em sua declaração, ele disse: “O orçamento da Saúde não suporta todos os gastos. Estamos utilizando a Fonte 100 [recursos do orçamento que não estavam previamente alocados para a Saúde]. O aumento dos preços de insumos e o desequilíbrio no contrato do IGES são desafios que estamos enfrentando. Este ano, teremos que manter o cinto apertado”.

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