Mobilização em Brasília com Ausências Estratégicas
A direita se mobiliza para um ato em Brasília neste domingo (25), recebendo a caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A expectativa é reunir milhares de manifestantes para pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) a alterar o regime de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente está em regime fechado.
Embora o evento esteja programado para ocorrer longe da Esplanada dos Ministérios, as medidas de segurança ao redor do Palácio do Planalto foram intensificadas no último sábado (24). O local foi cercado para prevenir possíveis invasões durante a manifestação.
Participações e Estratégias
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, estará presente, mas algumas figuras proeminentes do bolsonarismo, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, não participarão. Os organizadores justificam essa ausência, alegando que Michelle precisa dedicar-se aos cuidados do ex-presidente, incluindo o preparo de refeições para ele.
Além disso, aliados de Michelle afirmam que sua não presença busca evitar desgastes com o ministro do STF Alexandre de Moraes, com quem a ex-primeira-dama teve uma conversa antes da transferência de Bolsonaro da sede da PF (Polícia Federal) para a Papudinha. Na ocasião, ela fez um apelo ao ministro para que considere a possibilidade de prisão domiciliar para o ex-presidente.
Outro ponto de atenção é a eventual participação remota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontra em Israel. Segundo aliados, ele pode fazer uma breve ligação durante o ato, dependendo da sua agenda e do fuso horário, que é cinco horas mais adiantado em relação a Brasília.
Expectativas para o Discurso
Ainda não está definido quem irá discursar no ato. Além de Nikolas, a presença do pastor Silas Malafaia é considerada fundamental para atrair mais participantes. Ele, que é visto como um guru religioso do bolsonarismo, tem resistido à candidatura de Flávio e demonstra apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), acreditando que ele teria melhores condições de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Malafaia elogiou Nikolas, afirmando que ele “acertou” ao tomar a frente do movimento e se comprometeu a estar presente no encerramento da caminhada. “Eu vou estar lá, claro”, disse o pastor, destacando que um bom líder deve ser como “o comandante de um navio”. Na ausência de Bolsonaro, que representa a maior expressão da direita na América Latina, Malafaia acredita que Nikolas se posicionou de forma correta, dada sua “capilaridade gigantesca” no meio bolsonarista.
Ainda segundo o pastor, ele foi solicitado por Bolsonaro para coordenar manifestações em apoio ao ex-presidente. Agora, segundo ele, é hora de Nikolas brilhar. “Nada melhor do que um cara jovem, guerreiro, que não tem medo e possui uma grande rede social”, enfatizou Malafaia. Entretanto, aliados alertam que o pastor não deve abordar a pré-candidatura de Flávio durante o evento, embora o perfil de Malafaia seja considerado imprevisível.
Conflitos e Alinhamentos Políticos
Recentemente, a relação entre Tarcísio e a família Bolsonaro passou por um momento delicado, culminando no cancelamento de uma visita do governador ao ex-presidente na prisão em Brasília, um gesto interpretado como uma negativa a aceitar Flávio como candidato principal. No entanto, a situação foi contornada e uma nova visita foi agendada para o dia 29 de janeiro, já aprovada pelo STF.
Após o entendimento, lideranças bolsonaristas passaram a defender Tarcísio, afirmando que ele “tem palavra” e é confiável, enquanto o próprio governador reconheceu publicamente a pré-candidatura de Flávio à Presidência.
Com o aconselhamento de seus aliados, Tarcísio decidiu não participar da manifestação, considerando que é prudente aguardar o rescaldo do recente atrito. Informações de pessoas próximas à organização do ato indicam que não foram enviados convites para outros pré-candidatos da direita ou líderes políticos. A ideia é promover uma adesão espontânea, focando aqueles que efetivamente participaram da caminhada liderada por Nikolas Ferreira.
A Caminhada e o Ato de Mobilização
Nikolas Ferreira, uma proeminente liderança digital do bolsonarismo, iniciou uma caminhada de Belo Horizonte a Brasília na última segunda-feira (19), em defesa da anistia a Bolsonaro e aos presos do 8 de Janeiro. Ao longo do trajeto, diversas lideranças bolsonaristas se juntaram ao movimento, incluindo os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Luciano Zucco (PL-RS) e Rodrigo Valadares (União-SE), além do senador Magno Malta (PL-ES). Porém, há relatos de que apoiadores enfrentam cansaço, com um dos participantes, o ex-vereador de São Paulo Fernando Holliday, apresentando uma lesão no joelho.
De acordo com a organização, o ato ocorrerá à tarde na Praça do Cruzeiro, no centro de Brasília, e contará com uma estrutura modesta, sem previsão de carros de som ou telões. Espera-se que a caminhada chegue ao destino final pela BR-040 (Via Epia), nas proximidades da antiga Rodoferroviária, onde os participantes serão recebidos pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras do evento.
