Mobilização em Brasília mostra força da esquerda no segundo turno
Cerca de 100 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios neste domingo (18) para manifestar apoio ao presidente Lula e ao candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, ambos do PT. O número representa o dobro da última manifestação, realizada na terça-feira (13), sinalizando uma mobilização crescente para o segundo turno das eleições.
A concentração começou às 9h, com forte participação da juventude e do movimento hip-hop, que organizou o carro de som utilizado por parlamentares, artistas e representantes de partidos e coletivos. Entre os artistas presentes, destacaram-se Alexandre Carlo, ex-vocalista do Natiruts, que fez sua apresentação mesmo sob chuva, além do bandolinista Victor Angeleas, o rapper GOG, e os cantores Kirá e Ediá. O movimento Capoeiristas com Lula também integrou o ato.
Hip-hop e torcidas antifascistas marcam presença nas ruas
O percurso do ato percorreu da Biblioteca Nacional até o Congresso Nacional, com o movimento hip-hop acompanhando toda a caminhada. O rapper Morfeu, da Batalha do Terminal, em Ceilândia, ressaltou o papel do hip-hop como elemento de mobilização popular nas periferias. Segundo ele, o gênero é uma ferramenta revolucionária que alcança territórios antes mesmo da presença do Estado e representa o posicionamento do povo contra a extrema-direita.
Além disso, torcidas organizadas antifascistas de times como Santos, Flamengo, Botafogo, Atlético Mineiro, Corinthians e América estiveram presentes. Pedro Victor, do Flamengo Antifascista, explicou que a atuação dessas torcidas é uma forma de organização coletiva que fortalece a luta pela democracia e pelos direitos sociais, com foco em mobilizar a população independentemente das cores e siglas partidárias.
Participação de jovens e profissionais da saúde reforça pauta social
Bento Girão, de 16 anos, compareceu acompanhado da família para exercer seu direito de votar pela primeira vez e declarou apoio a Lula pela perspectiva de acesso à educação pública gratuita, especialmente em instituições federais como a UnB. Já a enfermeira Vitória Resende, que atuou na linha de frente durante a pandemia de Covid-19, destacou o impacto das políticas públicas durante a crise sanitária, mencionando a falta de insumos e a disseminação de tratamentos sem eficácia, o que, segundo ela, contribuiu para o elevado número de mortes.
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Vitória lembrou que, durante o governo de Jair Bolsonaro, houve estímulo ao uso de medicamentos ineficazes e promoção de aglomerações, apesar das recomendações de isolamento social por profissionais de saúde. Ela reforçou a importância da memória dos 700 mil mortos pela pandemia e a necessidade de defender a saúde pública.
Articulações políticas e críticas à gestão local no DF
Em entrevista, o deputado distrital Max Maciel, que obteve a maior votação da história da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), afirmou que a esquerda mantém a mobilização constante desde o primeiro turno e continuará ativa para defender direitos e evitar retrocessos, independentemente do resultado eleitoral.
A deputada distrital Keka Bagno (PSOL) reforçou que o Distrito Federal não é território para bolsonaristas e enfatizou a necessidade de manter a pressão popular nas ruas mesmo após as eleições. O deputado Gabriel Magno (PT) criticou os atuais e antigos governantes locais, afirmando que o DF deve priorizar investimentos em educação, saúde e reforma agrária, e sugeriu medidas duras contra figuras políticas associadas ao que chamou de gestão ineficiente.
Leandro Grass, candidato ao governo do DF, pediu votos para Lula e relacionou a disputa eleitoral à defesa das políticas sociais e dos serviços públicos. Ele apontou a deterioração da saúde pública local, mencionando longas esperas para tratamentos e cirurgias, como câncer, e responsabilizou o governo atual pelo cenário.
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Continuidade da mobilização nas ruas é consenso entre lideranças
O deputado Chico Vigilante (PT), reeleito para o sexto mandato, comparou a manifestação deste domingo com o ato de encerramento da campanha de Lula em 1989, destacando sua dimensão histórica. Ele propôs que o próximo comício de encerramento da campanha seja realizado em Brasília.
O deputado federal Reginaldo Vera (PV) ressaltou que a mobilização para conquistar votos deve seguir firme até o segundo turno, alertando que o trabalho de convencer eleitores não pode parar para garantir a manutenção dos direitos pela democracia.
Samara Mineiro (UP), ex-candidata ao governo do DF, também defendeu a permanência da militância nas ruas para garantir avanços sociais e impedir retrocessos, destacando conquistas recentes como a derrota da PEC da Bandidagem e a conquista do fim da escala 6×1, e enfatizando a necessidade de fortalecer movimentos sociais após a eleição.
A manifestação na Esplanada dos Ministérios representa um momento decisivo para a esquerda no Distrito Federal e no Brasil, com o reforço da articulação política e da mobilização popular para assegurar a continuidade das políticas sociais e a defesa da democracia nas próximas etapas eleitorais.

