Desempenhos Históricos no Atletismo e Judô
O ano de 2023 foi um marco para o esporte paralímpico no Brasil, sendo o primeiro do ciclo que culminará nos Jogos de Los Angeles, em 2028. O Brasil brilhou nos Campeonatos Mundiais de atletismo e judô, conquistando a liderança no quadro de medalhas. No entanto, o cenário também foi marcado por tensões, especialmente entre atletas e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), que enfrentou críticas por exigências controversas relacionadas ao Bolsa Atleta.
Com a chegada de 2025, o otimismo permeia o ambiente esportivo. Em fevereiro, Cristian Ribera alcançou o título de campeão mundial de esqui cross-country em Trondheim, na Noruega, ao vencer a prova de sprint de um quilômetro. O atleta rondoniense é uma das esperanças de medalha para o Brasil nas Paralimpíadas de Inverno, programadas para março de 2026 nas cidades italianas de Milão e Cortina.
Conquistas no Tênis em Cadeira de Rodas
Em maio, a seleção brasileira de tênis em cadeira de rodas fez história ao chegar à final da Copa do Mundo em Antalya, na Turquia, pela primeira vez. A equipe da classe quad, formada por atletas com limitações em pelo menos três membros, conquistou a medalha de prata, sendo superada apenas pela Holanda. Na categoria júnior, a equipe nacional também se destacou, alcançando a semifinal e terminando em quarto lugar, com contribuições significativas dos mineiros Vitória Miranda e Luiz Calixto.
Os jovens atletas brilharam ainda mais nos Grand Slams, os torneios mais prestigiados do calendário. Vitória foi campeã em simples e duplas femininas, junto à belga Luna Gryp, no Aberto da Austrália e em Roland Garros. Luiz, por sua vez, conquistou o título de duplas masculinas em solo australiano, ao lado do norte-americano Charlie Cooper. 2023 marcou o último ano dos dois competindo na categoria júnior.
Sucessos no Judô e Canoagem
Assim como no tênis adaptado, o Mundial de judô, realizado em maio, na cidade de Astana, no Cazaquistão, viu o Brasil se destacar ao subir ao pódio em 13 oportunidades, cinco delas no topo. Alana Maldonado, tricampeã na categoria até 70 quilos (kg) da classe J2 (baixa visão), e Wilians Araújo, que conquistou o bi na categoria acima de 95 kg da classe J1 (cego total), foram alguns dos grandes nomes da competição. A final foi um espetáculo a parte, com a vitória de Rebeca Silva sobre Meg Emmerich em uma disputa totalmente brasileira entre judocas na categoria acima de 70 kg da classe J2.
Outro grande destaque foi Fernando Rufino, do Mato Grosso do Sul, que garantiu o único ouro brasileiro no Mundial de canoagem realizado em Milão, nos 200 metros (m) da classe VL2. Ele repetiu a dobradinha da final paralímpica nos Jogos de Paris, em 2024, ao superar o paranaense Igor Tofalini, que ficou em segundo lugar. O Brasil terminou a competição na Itália com um total de cinco medalhas.
Resultados no Ciclismo e Natação
O sucesso continuou no Mundial de ciclismo de estrada, realizado em Ronce, na Bélgica, onde o paulista Lauro Chaman conquistou o tricampeonato na prova de resistência da classe C5. No ciclismo de pista, disputado no Velódromo do Rio de Janeiro em outubro, a equipe brasileira arrecadou nove medalhas, incluindo recorde de ouro pela paulista Sabrina Custódia no contrarrelógio de 1 km da classe C2.
Em setembro, durante o Mundial de Natação em Singapura, a disputa pelo topo do quadro de medalhas foi acirrada. Enquanto a Itália liderou com 18 ouros, o Brasil encerrou a competição na sexta posição, acumulando 13 medalhas douradas e 39 pódios. Os nadadores Gabriel Araújo, conhecido como Gabrielzinho, da classe S2, e a pernambucana Carol Santiago, da S12, se destacaram ao conquistarem três ouros cada.
Conflitos nos Bastidores do Tênis de Mesa
Embora o Mundial de tênis de mesa esteja programado para 2026, a modalidade esteve em evidência ao longo deste ano devido a conflitos nos bastidores. Em julho, um grupo de nove atletas, que acumula 16 medalhas paralímpicas, enviou um ofício ao Ministério do Esporte expressando descontentamento com as exigências da CBTM.
As reclamações incluem a imposição de que os atletas deviam investir entre 30% e 60% do Bolsa-Pódio para custear sua participação em competições internacionais, além de exigir um planejamento que contemplasse, no mínimo, dez eventos fora do Brasil para a aprovação do plano esportivo, necessário para o recebimento do benefício governamental. O ofício pedia intervenções na confederação e o reconhecimento das conquistas dos atletas em vez da quantidade de eventos disputados. O Ministério do Esporte afirmou que não havia previsão para as exigências da CBTM, que acabou revogando a medida, mas a tensão entre os atletas e a entidade permanece.

