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    Política

    Flávio Gordon: ‘Moraes, o Apolônio de Tiana do Estado Democrático de Direito’

    04/01/2026
    Flávio Gordon: 'Moraes, o Apolônio de Tiana do Estado Democrático de Direito'

    Reflexões sobre a figura de Alexandre de Moraes

    O escritor Ruy Castro iniciou 2026 com um sentimento de amargura. Em sua coluna publicada na Folha de S.Paulo, o autor não apenas expressa suas opiniões, mas também revela, de maneira involuntária, o clima espiritual que permeia o Brasil atual. O país vive sob a sombra do ódio, enquanto Jair Bolsonaro se encontra em uma situação de vulnerabilidade, enfrentando questões de saúde e derrotas políticas. O ressentimento, que perdura mesmo diante de suas fraquezas, revela uma luta que ultrapassa as fronteiras da política. Este sentimento persistente, que não demonstra compaixão ou curiosidade diante da fragilidade de um adversário, sugere a existência de um ritual sacrificial na sociedade brasileira.

    O conceito de “feitiço” utilizado por Castro pode ser explorado através da obra do antropólogo René Girard. Segundo Girard, em momentos de tensão prolongada, como rivalidades e polarizações, as sociedades tendem a buscar reconciliação não pela verdade, mas pela agressão a uma vítima comum, a qual acaba sendo responsabilizada por um mal coletivo. Ele observa que, após períodos de conflito, frequentemente a sociedade se une em torno de um bode expiatório, cuja inocência é evidente a um observador externo, mas invisível aos membros do grupo.

    Girard traça um paralelo interessante entre Jesus de Nazaré e Apolônio de Tiana, um místico pagão do século II, ambos atuantes em ambientes de crise. Enquanto Jesus traz uma mensagem de amor e reconciliação que desfaz a lógica do sacrifício, o paganismo, como o representado por Apolônio, reforça e ritualiza esses sacrifícios. Um exemplo claro dessa dinâmica é o episódio narrado por Flávio Filóstrato sobre Apolônio, que, ao ser solicitado por uma cidade assolada por uma epidemia, acaba convocando a população a sacrificar um mendigo como forma de expelir a peste.

    O mendigo, que carrega a projeção dos medos coletivos, acaba sendo apedrejado pela multidão. Essa cena serve para ilustrar a dificuldade do primeiro ato agressivo, que representa não só a responsabilidade moral do ato, mas também a hesitação da população em sacrificar um inocente. No entanto, quando a multidão se convence de que o mendigo é um demônio, a violência se torna desenfreada. O que se revela, segundo Girard, é um “horrível milagre”, onde a verdadeira cura é a ativação do mecanismo do bode expiatório, proporcionando um alívio para a coletividade enquanto a inocência da vítima é ignorada.

    A relação entre esse mecanismo e a situação atual de Jair Bolsonaro é inegável. A primeira coluna de Ruy Castro retrata um estado de transe coletivo, onde a figura de Bolsonaro, mesmo em sua vulnerabilidade, continua a ser alvo de uma perseguição implacável. Alexandre de Moraes, atual ministro do STF, é evocado como um “curandeiro togado”, incumbido de combater a “ameaça antidemocrática”, sendo Bolsonaro visto como o responsável por todos os problemas do país.

    Ao longo dos últimos anos, o ambiente jurídico brasileiro tem se modificado, com ações que frequentemente desafiam normas e princípios estabelecidos, criando um clima de exceção. Como bem observou Girard, a violência ritual se intensifica à medida que as decisões e ações se acumulam, cada uma servindo como uma pedra lançada contra a vítima simbólica. A narrativa se desvia da brutalidade do linchamento, focando na necessidade de eliminar o que é identificado como o demônio da polarização.

    Essa dinâmica revela que, mesmo diante da derrota e fragilidade, o ódio se mantém ativo, tornando-se um reflexo de uma sociedade em crise que necessita de um bode expiatório. No passado, figuras como Jesus interromperam ciclos de violência ao responsabilizar os acusadores, enquanto atualmente a lógica sacrificial prevalece, numa tragédia que perpetua a violência em nome da “salvação” coletiva. A capacidade de compaixão é vista como uma ameaça à continuidade desse feitiço social.

    O que se desenrola no Brasil não se limita a uma disputa política: é um embate cultural e espiritual que coloca em evidência dois modelos de justiça opostos. De um lado, a justiça que busca a reconciliação e o perdão; do outro, uma justiça arcaica e sacrificial que perpetua a ordem por meio da eliminação de um inocente. Essa dualidade revela-se não apenas nas ações de Moraes, mas também na resposta popular que clama por uma justiça que não busca a verdade, mas sim a manutenção de um rito coletivo.

    A complexidade do momento atual é, portanto, um chamado à reflexão sobre os nossos próprios rituais e sobre o que significa, verdadeiramente, buscar a justiça em uma sociedade ferida. A tragédia se desenrola enquanto, cada vez mais, a lógica do linchamento do bode expiatório se impõe, transformando a busca pela verdade em um sacrifício ritual em nome de uma paz ilusória.

    Alexandre de Moraes justiça Política Brasileira René Girard Ruy Castro
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