Uma História de Pertencimento e Encantamento
Previsto para estrear nos cinemas ainda este ano, “A Lenda de Keya” se destaca como o primeiro longa-metragem de animação cearense a explorar a temática do pertencimento indígena, além de incorporar diálogos na língua tupi. Com a participação do renomado ator Silvero Pereira, conhecido por seu trabalho em “Bacurau”, o filme promete trazer à tona discussões importantes sobre a cultura indígena e suas raízes.
Dirigido por Claudio Martins, o enredo revolve em torno de Ana, uma menina dublada pela atriz Itauana Ciribeli. Sem conseguir ser adotada, Ana forma um vínculo afetivo com uma tartaruga, que representa sua única conexão emocional. Quando a tartaruga é levada por uma ONG, a jovem decide fugir do orfanato para resgatá-la. Ao lado de Iacatan, interpretado por Silvero, Ana embarca em uma emocionante jornada repleta de encantados, mistérios e aventuras.
Inspiração e Responsabilidade Cultural
Claudio Martins, em entrevista, revelou que a ideia para o filme nasceu após sua mudança para a Serra da Ibiapaba, no Norte do Ceará, onde passou a vivenciar suas próprias raízes indígenas. “Tive a preocupação de tratar esse mundo com respeito e responsabilidade. Mesmo tendo ascendência indígena, não quis abordar o tema sozinho. Busquei o apoio de pessoas que têm conhecimento e vivência na cultura”, afirmou Martins em comunicado à imprensa.
Para assegurar a autenticidade da narrativa, a produção contou com a consultoria do autor indígena e ativista Daniel Munduruku, que colaborou no desenvolvimento do roteiro e na representação dos símbolos visuais presentes na obra. Os grafismos foram elaborados com a contribuição dos artistas Thalia Yanza e Leandro Vieira, pertencentes ao povo Pitaguary, enquanto a captação de sons da natureza envolveu a colaboração do povo Anacé Kauype.
Desafios na Tradução e Preservação Linguística
Um dos principais desafios enfrentados pela equipe de produção foi a tradução de trechos do roteiro do português para o tupi. Para isso, contaram com a orientação do professor e doutor Tom Finbow, um reconhecido pesquisador no campo e membro de um grupo de estudos sobre a língua no Brasil. Essa colaboração é um reflexo do compromisso do filme em valorizar e preservar a língua indígena, um aspecto fundamental na construção da identidade cultural.
Expectativas para a Estreia
Com uma proposta inovadora e uma narrativa que promete cativar o público, “A Lenda de Keya” não apenas entretém, mas também educa sobre a importância do respeito à cultura indígena. A animação se torna um importante veículo para promover diálogos sobre a herança cultural que muitas vezes é esquecida. O filme, ao explorar a conexão de uma jovem com seus antepassados, destaca a relevância da identidade indígena no cenário contemporâneo.
Assim, com um enredo envolvente e uma rica representação cultural, o longa-metragem se prepara para fazer sua estreia, trazendo à tona questões fundamentais sobre pertencimento e respeito às tradições indígenas. Fica a expectativa de como o público reagirá a esta obra que visa não apenas contar uma história, mas também resgatar e valorizar a cultura indígena no Brasil.

