Impacto da Proposta de Flávio Bolsonaro na Demarcação de Terras Indígenas
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que, se eleito no próximo dia 25, seguirá a linha do pai na Presidência da República e não realizará novas demarcações de terras indígenas. Essa posição colocaria em suspenso 286 territórios com processos em andamento no Brasil, incluindo 45 áreas já delimitadas com estudos aprovados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e 73 terras declaradas, cujos limites foram reconhecidos pelo Ministério da Justiça. Essas últimas estão autorizadas a passar pela etapa de demarcação física, que precede a homologação presidencial.
Além dessas 118 áreas, outras 168 seguem em fase de estudos para definir seus limites territoriais. Parte das terras em análise envolve revisões de limites já reconhecidos anteriormente.
Repercussões da Promessa de Paralisação das Demarcações
Flávio Bolsonaro declarou publicamente, durante evento com produtores rurais em Sinop (MT), que “nenhuma dessas reservas será demarcada se depender do nosso governo”. A campanha do candidato não respondeu aos pedidos de esclarecimentos sobre o tema, nem sobre a exploração das terras já homologadas.
Para o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a vitória de Flávio representaria uma ameaça à continuidade da política indigenista, com risco de que atos recentes sejam desfeitos. Atualmente, oito terras aguardam decreto presidencial, e outras 20 esperam portarias do Ministério da Justiça previstas para 2026, que seriam anunciadas após as eleições.
“Há o risco de que todo esse trabalho seja anulado com uma única canetada. Já observamos iniciativas no Congresso que miram desfazer o reconhecimento territorial”, alerta Eloy. Ele também prevê o possível fim do Ministério dos Povos Indígenas, criado em 2023, e o enfraquecimento da Funai, caso Flávio cumpra a promessa de reduzir o número de ministérios.
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Fonte: edemossoro.com.br
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Fonte: diariofloripa.com.br
Histórico e Consequências para a Política Indigenista
Lucia Alberta Andrade Baré, presidente da Funai, destaca que o governo Jair Bolsonaro não homologou nenhuma terra indígena entre 2019 e 2022. Em contraste, o atual governo Lula oficializou 20 territórios para os povos indígenas. Ela reforça que a extinção de terras indígenas equivale à eliminação dos povos que nelas vivem.
Manoel Prado, diretor de demarcação da Funai, alerta que a descontinuidade da política indigenista expõe as comunidades a invasões e conflitos fundiários, comprometendo a segurança dos territórios.
Autonomia Indígena e Atividades Produtivas em Risco
O programa eleitoral de Flávio Bolsonaro propõe dar “autonomia” a indígenas e quilombolas para decidirem quais atividades produtivas poderão ocorrer em suas terras após homologação. Entre as atividades citadas estão agricultura, mineração, construção de usinas e abertura de estradas. No entanto, o plano não detalha como essa autonomia seria implementada nem como as decisões seriam tomadas internamente.
Lucia Baré ressalta que muitos povos indígenas já desenvolvem atividades econômicas, como produção de café e turismo comunitário. Ela critica a proposta por ignorar essas iniciativas e alertar para o risco de entrega das terras a terceiros, com exploração predatória.
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Fonte: agendapublica.com.br
O ministro Eloy Terena complementa que apoiar a produção indígena não exige abrir mão da proteção territorial. Programas de crédito e incentivos já beneficiam famílias indígenas, desde que respeitem as formas de organização das comunidades.
Riscos de Arrendamentos e Conflitos Internos
Eloy destaca que arrendamentos de terras para o agronegócio podem concentrar renda em poucas lideranças, gerando disputas internas. Lucia acrescenta que conflitos relacionados a arrendamentos no Sul do país evidenciam os riscos de atividades econômicas conduzidas sem proteção dos interesses coletivos indígenas.
Ameaças e Pressões em Territórios Indígenas
O ministro Eloy Terena informa que lideranças indígenas relatam ameaças crescentes em várias regiões, com invasores anunciando retorno a territórios de onde foram retirados. Entre os invasores estão garimpeiros, madeireiros e criadores de gado. Prefeituras que se opõem às ações de fiscalização também exercem pressão para impedir a retirada de invasores.
As disputas e ameaças sinalizam um cenário preocupante para a política indigenista, caso o plano de Flávio Bolsonaro seja implementado, com impactos diretos na proteção dos direitos e territórios dos povos indígenas.

