Paulo Serra aposta no voto distrital misto para ampliar a representatividade
Paulo Serra (PSDB-SP), eleito deputado federal nas eleições de 2026, anunciou que pretende priorizar a retomada do projeto do voto distrital misto no congresso nacional, em Brasília. Como presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e único representante eleito pelo partido paulista nesta legislatura, o tucano busca dar novo impulso a uma proposta inicialmente aprovada pelo Senado em 2017, mas que não avançou desde então.
A proposta, de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP), propõe um modelo híbrido para as eleições proporcionais, combinando a escolha direta de candidatos por distrito com o voto partidário. Segundo Paulo Serra, seu objetivo é conciliar a presença de parlamentares ligados a grandes pautas estaduais e nacionais com a atuação de deputados que acompanham de perto os problemas das regiões e municípios.
Modelo busca equilíbrio entre representação regional e partidária
Com 132.866 votos conquistados no último pleito, Paulo Serra defende que o voto distrital misto aproxima eleitores e representantes sem comprometer a diversidade de temas no Congresso. “Uma das minhas prioridades em Brasília será desengavetar o projeto do voto distrital misto. Não sou contra os parlamentares das grandes causas. É legítimo, e o voto é soberano. Mas precisamos preservar espaço para a representação regional, para quem acompanha o cotidiano das cidades. Estas duas formas de atuação se complementam”, afirmou o deputado, que recebeu 103.976 votos apenas em Santo André, cidade onde foi prefeito por dois mandatos.
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Conforme o texto do PL 86/2017, o eleitor teria dois votos nas eleições proporcionais: um para escolher o candidato de seu distrito e outro para definir o partido de sua preferência. Metade das cadeiras seria ocupada pelos candidatos mais votados em cada distrito, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente entre os partidos, conforme suas votações e regras legais.
Na prática, esse sistema permite ao eleitor escolher diretamente um representante local, focado nas demandas municipais, e ao mesmo tempo votar em um partido que reflete suas convicções políticas mais amplas. Para Paulo Serra, isso preserva espaço para parlamentares dedicados a temas nacionais e estaduais, sem abrir mão da representatividade regional.
Grande ABCD como exemplo para a aplicação do sistema
O ex-prefeito de Santo André exemplifica o modelo usando o Grande ABCD como referência. Considerando a região como um distrito eleitoral, quatro vagas seriam destinadas a representantes locais, enquanto outras quatro seriam preenchidas por meio da votação proporcional partidária. A divisão final dependerá da definição dos distritos e das regras que serão aplicadas ao sistema.
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“Quem defende a causa animal, quem tem uma pauta nacional ou quem se dedica a grandes debates políticos precisa continuar tendo espaço. Ao mesmo tempo, precisamos garantir que as regiões tenham representantes comprometidos com Mobilidade Urbana, Habitação, Saúde e os problemas que afetam o dia a dia das pessoas. Não é uma escolha entre uma coisa e outra”, ressaltou Paulo Serra, que avalia ser necessário atualizar o projeto de 2017 para adequá-lo ao contexto político e eleitoral atual.

