Participação de líderes políticos em celebrações no Dia de Nossa Senhora Aparecida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos candidatos à presidência da República, participaram nesta segunda-feira (12) das celebrações religiosas em Brasília alusivas ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Lula esteve na missa realizada na capela do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, que teve início às 9h. Já Flávio Bolsonaro compareceu à programação na Catedral Metropolitana de Brasília, acompanhado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL).
Alckmin e Alexandre Padilha no Santuário Nacional
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estiveram no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, para as celebrações. Alckmin compartilhou vídeo nas redes sociais a caminho do local junto à esposa, Lu Alckmin, informando que faria orações pela saúde do papa Leão XIV, que passará por cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão, além de pedir pelo futuro do Brasil.
Contexto político e tensões envolvendo a Igreja Católica
Este ano, a festa da padroeira acontece em meio a uma disputa eleitoral marcada por tensões entre setores da extrema direita e a Igreja Católica. Em agosto, Flávio Bolsonaro declarou que, caso eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, o que gerou desconforto entre católicos, conforme reportagem do Brasil de Fato.
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Em setembro, o senador foi associado nas redes sociais e na imprensa a um projeto de lei que pretendia alterar o título oficial de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. Flávio Bolsonaro negou a intenção. A proposta, apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, foi arquivada em 2022. O texto buscava substituir, na legislação relativa ao feriado de 12 de outubro, a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Repercussões e decisões judiciais
A questão chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ordenou a remoção de publicações sobre o tema. Contudo, houve divergências entre os ministros quanto ao alcance da decisão. O desconforto de lideranças católicas com ataques provenientes de setores da direita à Igreja é anterior à polêmica eleitoral. Um relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgado pelo Brasil de Fato, identificou 58 ataques de grupos de direita à Igreja Católica nos oito anos anteriores à publicação.
Posição da Igreja sobre as intervenções políticas
Em entrevista ao Brasil de Fato, dom Geraldo Maia, bispo de Araçuaí (MG), defendeu o respeito às tradições católicas e criticou a interferência do poder público em questões de fé. Segundo ele, “não é necessário que nenhum poder civil faça declarações ou retire elementos da fé, da história ou da cultura do nosso povo, pois a religião está ligada à fé e às tradições, não à legislação do Estado”.
O bispo ressaltou ainda a identificação de Nossa Senhora Aparecida com os setores populares, afirmando que “ela representa os oprimidos e está ao lado das pessoas que sofrem ao longo da história até os dias atuais”. Para dom Geraldo, ataques à imagem da padroeira configuram também atentados culturais e históricos, além de religiosos.

