Uma sátira que atravessa o tempo
Carros de luxo, jatinhos particulares, obras de arte e apartamentos com vista para o mar compõem o cenário de “Alta Sociedade”, uma comédia que mistura escândalos de corrupção, sonegação fiscal e tráfico de influência. A trama escrita por Mauro Rasi, um dos maiores dramaturgos brasileiros, foi criada em 2000, mas permanece assustadoramente atual quase três décadas depois. Julia Lemmertz e Orã Figueiredo dão vida a essa história que poderia muito bem ser destaque nas manchetes dos jornais.
Na peça, Sylvia e Leopoldo são um casal de milionários falidos que tenta fugir do país na noite de réveillon para escapar da Polícia Federal. Ambientada no icônico edifício Chopin, na orla de Copacabana, a trama foi atualizada por Amanda Jordão para incorporar figuras contemporâneas e manter a crítica afiada. O diretor Emílio de Mello destaca que, apesar das mudanças nos nomes dos personagens, as situações permanecem as mesmas, o que reforça a persistência de práticas corruptas em uma elite que não mudou de essência.
Crítica social em cena
Os personagens da peça fazem menção direta a figuras que marcam as páginas policiais hoje, como o banqueiro Daniel Vorcaro e diversos políticos, intensificando o tom crítico e debochado da comédia. Julia Lemmertz ressalta que o texto expõe uma elite preocupada apenas em manter seus privilégios, enquanto Orã Figueiredo aponta que a peça revela o Brasil das falcatruas sob o olhar dessa camada social.
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Emílio de Mello enxerga na obra de Mauro Rasi uma radiografia precisa de parte da sociedade brasileira. Além de dramaturgo, Rasi foi cronista e observador perspicaz dos costumes nacionais, muitos deles refletidos em suas peças. “Alta Sociedade” é um dos exemplos mais contundentes desse talento, reunindo humor e crítica de forma equilibrada e inteligente.
Uma parceria que celebra a obra de Mauro Rasi
Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Emílio de Mello reúnem-se para dar vida a essa peça que permanece viva e pulsante, como merece a obra de Rasi. A cumplicidade entre eles eleva a qualidade da montagem, que aposta no humor e na ironia para retratar a elite brasileira de forma contundente, sem perder o tom divertido.
Mauro Rasi foi um nome fundamental no teatro brasileiro das décadas de 1980 e 1990, precursor do teatro besteirol e renovador da comédia nacional. Sua obra mistura humor ágil, crítica social e elementos autobiográficos, marcando peças como “A Estrela do Lar” e “Pérola”. Sua influência segue presente, com textos que equilibram comicidade e reflexão sobre a sociedade.
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Detalhes da montagem e agenda cultural
A montagem de “Alta Sociedade” em Brasília conta com elenco de Julia Lemmertz e Orã Figueiredo, sob direção de Emílio de Mello e adaptação de Amanda Jordão. O cenário é de Chris Aizner, com luz assinada por Tomás Ribas e Elisa Tandeta, e figurinos de Karen Brusttolin. A trilha sonora original fica por conta de Ivo Senra, enquanto o marketing cultural é conduzido por Gheu Tibério.
A peça será apresentada no Teatro UNIP, localizado na SGAS 913 – Asa Sul. A temporada acontece nos dias 17 e 18 de outubro, com sessões no sábado às 18h e 20h, e no domingo às 17h e 19h. A entrada não será permitida após o início do espetáculo. Os ingressos estão disponíveis a partir de R$ 25 (meia-entrada) pela bilheteria online e fisicamente na Belini (113 Sul), sem taxas adicionais. Com duração de 80 minutos, a classificação indicativa é para maiores de 10 anos.
Essa montagem oferece ao público brasiliense a oportunidade de refletir sobre as contradições da elite brasileira, com uma comédia que atravessa o tempo e mantém sua relevância intacta. A peça reforça a importância de revisitar a obra de Mauro Rasi, celebrando uma dramaturgia que continua a provocar e divertir, ao mesmo tempo em que incita uma análise crítica da sociedade.

