Discurso direto e críticas ao clã Bolsonaro
Durante um ato de campanha na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva focou suas declarações no senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, e no ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. Lula afirmou que Flávio teria enviado seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos para “tramar contra o Brasil”. O presidente destacou que o país não aceita políticos que, de dia, exibem a bandeira nacional e, à noite, se curvam a interesses estrangeiros, em referência direta ao comportamento que atribui ao grupo Bolsonaro.
O evento reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo dados oficiais do Planalto, e contou com a presença de representantes locais como a senadora Leila Barros (PDT), a deputada federal Erika Kokay (PT), o candidato ao governo do DF Leandro Grass (PT) e sua vice, Dora Gomes (PV).
Defesa da soberania e posicionamento sobre eleições
Lula anunciou que viajará aos Estados Unidos para participar da Assembleia-Geral da ONU e que pretende conversar diretamente com o presidente Donald Trump, pedindo que não interfira nas eleições brasileiras. O presidente reforçou que o povo brasileiro é o único “dono” do país, rechaçando qualquer forma de intervenção externa.
Acusações sobre o Banco de Brasília e críticas a Ibaneis Rocha
O presidente atribuiu ao ex-governador Ibaneis Rocha a responsabilidade pelo rombo no Banco de Brasília (BRB), decorrente de um esquema envolvendo o Banco Master. Segundo Lula, a governadora Celina Leão tenta indevidamente transferir a culpa para o governo federal, o que ele classificou como uma tentativa cínica e mentirosa.
Leia também: Distrito Federal busca empréstimo com apoio do governo Lula como solução para o BRB
Leia também: Pesquisa revela economia como maior desafio de Lula no Distrito Federal
Ele explicou que o BRB adquiriu títulos inexistentes no valor de R$ 12 bilhões, resultado da ligação entre Ibaneis e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Lula enfatizou que o governo não vai fornecer recursos para o BRB, mesmo diante de pressões que indicam risco para programas sociais caso o empréstimo não seja concedido.
O presidente também criticou a postura do ex-governador, que, segundo ele, retirou a candidatura após denúncia e estaria evitando a justiça, enquanto utiliza recursos supostamente desviados. Lula aproveitou para destacar a necessidade de uma nova administração em Brasília e manifestou apoio à candidatura de Leandro Grass para governador.
Resposta da governadora Celina Leão
Em resposta às declarações de Lula, a governadora Celina Leão usou as redes sociais para lamentar as afirmações e acusar o presidente de agir como líder de partido, não do Brasil. Ela destacou que o governo federal já auxiliou os Correios duas vezes, mas se recusa a aprovar o empréstimo ao GDF, deixando de lado os interesses dos brasilienses.
Posicionamento sobre o Judiciário e investigações
Mais cedo, Lula comentou a crise no Judiciário, dizendo que ela é negativa para o país. Ele mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria ligações com diferentes setores do poder, e defendeu que todos os envolvidos em irregularidades sejam investigados e julgados de forma justa, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, citado como suspeito.
Leia também: Debate ao Senado no Distrito Federal: Separando Fatos de Fake News entre os Candidatos
Leia também: Distrito Federal ajusta contas para ampliar capacidade de pagamento e apoiar o BRB
O presidente ressaltou que não indicou Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e atribuiu a Flávio Bolsonaro a responsabilidade por seu voto na indicação do ministro, uma vez que Moraes foi nomeado em 2017 pelo então presidente Michel Temer. Lula também lembrou as indicações de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambas anteriores a seu mandato.
Defesa da atuação do ministro Alexandre de Moraes
Mesmo diante das críticas, Lula fez questão de enaltecer o papel de Moraes no combate aos atos golpistas de 8 de janeiro e na preservação da democracia após as eleições de 2022. O presidente afirmou que o ministro realizou um trabalho extraordinário, prendendo envolvidos, incluindo Jair Bolsonaro e outros golpistas.
Segundo Lula, a animosidade de Flávio Bolsonaro contra Moraes não tem relação com o Banco Master, mas com decisões do ministro que afetaram diretamente o clã, como a prisão do responsável pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, além da detenção do próprio pai de Flávio e de apoiadores dos atos golpistas.
Investigações contra Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é alvo de investigação da Polícia Federal desde julho, sob suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo o filme “Dark Horse”, financiado pelo proprietário do Banco Master. A divulgação parcial das investigações trouxe à tona detalhes que reforçam as acusações contra o senador.

