Bloqueio de verba ameaça a 19ª Parada LGBTQIAP+ de Taguatinga
A 19ª edição da Parada LGBTQIAP+ de Taguatinga está ameaçada de cancelamento. O motivo? O bloqueio dos recursos financeiros que deveriam garantir a realização do evento, por parte do governo do Distrito Federal (GDF). A organização denunciou, nas redes sociais, que o dinheiro destinado à parada está represado na Secretaria de Cultura, colocando em dúvida a realização prevista para o próximo domingo (20).
Os fundos seriam provenientes de uma emenda parlamentar aprovada em março e autorizada pelo próprio governo em junho. No entanto, até agora, não houve liberação da verba. Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Cultura reconheceu a situação e alegou falta de “capacidade operacional” para executar o recurso no prazo necessário.
Desafios e impacto direto na comunidade LGBTQIAP+
Leandro Oliveira, subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural, afirmou que o desbloqueio do valor é “inviável” para a data marcada. Para os organizadores, como Diulio Garcia, a paralisação do repasse não compromete apenas a parada, mas toda uma agenda cultural e de cidadania da população LGBTQIA+ do Distrito Federal.
“O recurso estava previsto, a programação construída e a data definida. O que falta é o GDF liberar. Sem isso, não é só a parada que fica ameaçada, mas toda uma série de atividades relacionadas a direitos e trabalho para essa comunidade”, explica Garcia, que coordena a programação do evento.
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Realizada há 19 anos, a Parada de Taguatinga já enfrentou dificuldades burocráticas, mas nunca teve o financiamento aprovado bloqueado. Além dela, outros eventos importantes para a diversidade, como as paradas de Ceilândia, Paranoá e do Orgulho PcD, também sofrem com o represamento dos recursos. Isso impacta diretamente na estrutura necessária para garantir segurança, alimentação, hidratação, ambulância e outros serviços essenciais para a realização segura das paradas.
Contexto e posicionamento do governo do Distrito Federal
O bloqueio ocorre em um momento simbólico, já que, desde outubro do ano passado, a Parada de Taguatinga faz parte do calendário oficial de eventos do DF. A Secretaria de Cultura explicou, em nota oficial, que a concentração de eventos culturais ao longo de 2026 tornou inviável a execução do Orgulho Taguá na data prevista pelos organizadores.
A pasta destacou a necessidade de respeitar a capacidade operacional para análise, gestão e execução das parcerias culturais, evitando compromissos além do que a estrutura administrativa pode suportar. Segundo a Secretaria, existem dezenas de emendas desbloqueadas, mas a prioridade segue um ritmo que permite uma execução responsável e segura dos projetos.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Crise nos repasses para a cultura em Brasília
O caso da Parada de Taguatinga não está isolado. Outros eventos culturais em Brasília enfrentam dificuldades financeiras. A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chegou a ficar sob ameaça de cancelamento por falta de verbas, enquanto o Cine Brasília, maior cinema de rua do país, esteve próximo de fechar.
A crise envolvendo transações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master afetou o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), levando à suspensão de editais e dificultando a análise dos projetos culturais. Recentemente, a Secretaria de Cultura anunciou a retomada dos processos e um novo edital com recursos reforçados, fruto de ajustes orçamentários.
Enquanto a comunidade cultural aguarda soluções, a Parada LGBTQIAP+ de Taguatinga permanece em suspense, refletindo os desafios enfrentados por eventos que celebram a diversidade e os direitos humanos na capital federal.

