Trajetória e ascensão de Karina da Gama
Karina da Gama, produtora executiva do filme “Dark Horse” e figura ligada politicamente ao PL, ganhou destaque ao liderar o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que em poucos anos saltou de eventos de literatura cristã para um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. Antes de se envolver com a família do deputado Flávio Bolsonaro (PL), Karina atuava na promoção de literatura evangélica e participou da campanha do deputado federal Mário Frias (PL-SP), também produtor executivo do filme.
Natural da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina tem 46 anos e sempre manteve atuação ligada a comunidades evangélicas periféricas, prestando serviços de audiovisual e organização de eventos religiosos. O ICB, fundado por ela, iniciou contratos com a prefeitura em 2018, realizando eventos como o “Encontro Literário IDE”, que contou com R$ 2,5 milhões oriundos da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) e emendas de vereadores evangélicos para sua realização.
Contrato bilionário para wi-fi e questionamentos
Em junho de 2024, a ONG foi a única a apresentar proposta no chamamento público da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para instalar 5 mil pontos de wi-fi gratuito nas periferias paulistanas. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) firmou contrato de R$ 108 milhões com o ICB, que não possuía experiência prévia em instalações tecnológicas dessa natureza nem em projetos nas regiões atendidas.
Após vencer o certame de candidato único, a ONG terceirizou os serviços a pequenas empresas especializadas em fornecer sinal de internet em favelas e áreas periféricas. No primeiro ano, a ONG recebeu pelo menos R$ 40 milhões, mas não conseguiu cumprir a meta de instalação, que foi prorrogada até 2029, elevando o valor total para R$ 157 milhões, conforme a Polícia Civil de São Paulo, que realizou buscas em endereços ligados a Karina, sua ONG e a Secretaria de Inovação e Tecnologia.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Investigação e suspeitas levantadas
A promotora Marina Pedersolli apontou indícios de possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, sobrepreço, antecipação de repasses e pagamentos por serviços não realizados. Também foram mencionadas suspeitas de pulverização dos recursos por meio de subcontratações e possível uso de verba pública para financiar produção cinematográfica vinculada a Karina da Gama.
A ONG e a produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), funcionam no mesmo endereço na Avenida Paulista, Centro de São Paulo. O local abriga ainda a empresa GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda, pertencente a Karina, que em 2022 recebeu R$ 54 mil para a campanha do deputado federal Mário Frias (PL). Em 2023, Frias destinou R$ 2,5 milhões em emendas para projetos sociais conduzidos pelo ICB no interior paulista.
Posicionamentos oficiais e próximos passos
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que o chamamento público ficou aberto por 30 dias e não recebeu impugnações ou outras propostas. Ele justificou a escolha da ONG pela necessidade de mapeamento social nas comunidades atendidas, destacando que o projeto vai além da simples instalação dos pontos de wi-fi.
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia destacou que o valor repassado até maio de 2026 foi de R$ 69,12 milhões para 3.200 pontos em funcionamento, negando que tenha ocorrido prorrogação para 5 mil pontos ou pagamento por pontos não instalados. A pasta ressaltou que a parceria com uma organização social se justificou pela atuação em áreas vulneráveis, e que não houve interessados no chamamento voltado a empresas privadas.
Karina da Gama, em contato por telefone, declarou desconhecer as notas fiscais mencionadas, mas afirmou que está regularizando a prestação de contas junto à Prefeitura. Ela explicou que o ICB e as demais empresas sob seu nome funcionam no mesmo endereço para facilitar o controle.
A Polícia Federal e a Secretaria de Inovação e Tecnologia seguem com as investigações. A operação de busca e apreensão realizada em 1º de junho reforça o acompanhamento da execução do contrato e possíveis irregularidades. O desenrolar do caso deve impactar a gestão municipal e a fiscalização dos contratos públicos com organizações sociais em São Paulo.

