Resultados do Censo Cultural e Nova Plataforma Digital
No dia 5 de dezembro, a Secretaria de Cultura de Pernambuco anunciou os resultados do 1º Censo Cultural do estado e apresentou a plataforma digital do Observatório de Indicadores Culturais e Inovação em Dados (ObIC). Esse levantamento não apenas marca um novo ciclo de planejamento para a política cultural pernambucana, mas também proporciona uma leitura mais detalhada sobre quem são os agentes culturais, onde se localizam os equipamentos culturais e quais linguagens predominam na rica cadeia criativa do Estado.
Conforme os dados revelados, o Sertão se destaca como uma das principais potências culturais de Pernambuco. A região abriga 32% dos agentes culturais mapeados e concentra 29,9% dos equipamentos culturais identificados pelo censo, ressaltando o papel crucial do interior na preservação e na promoção das diversas expressões culturais locais.
Participação e Abrangência do Censo
O censo reuniu a participação de 4.014 agentes culturais, abrangendo 159 territórios, que incluem 158 municípios e o distrito estadual de Fernando de Noronha. Ao longo do levantamento, foram documentados 147 equipamentos culturais, contemplando todas as 12 Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco.
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Fonte: parabelem.com.br
Para Cacau de Paula, secretária de Cultura de Pernambuco, o Censo representa um avanço na gestão pública cultural, permitindo uma tomada de decisão baseada em dados. “O Censo Cultural é fundamental para que possamos ter uma gestão pública orientada por informações concretas. Isso nos ajuda a implementar ações mais direcionadas para a população e os agentes culturais, contribuindo com políticas públicas que fortaleçam a diversidade cultural do nosso estado”, afirmou a secretária.
A Centralidade do Interior na cultura pernambucana
Os números do Censo Cultural reforçam a centralidade do interior na configuração da cultura pernambucana. De acordo com os dados, 75% dos agentes culturais residem no Sertão, Agreste, Zona da Mata Sul e Zona da Mata Norte, com a maior concentração no Sertão e no Agreste. Por outro lado, a Região Metropolitana do Recife abriga 25% dos agentes mapeados.
A distribuição dos equipamentos culturais reflete essa tendência: 70% estão localizados no interior, enquanto 25% permanecem na Região Metropolitana do Recife. Essa realidade destaca a necessidade de desenvolver políticas públicas descentralizadas, que busquem ampliar o acesso à cultura e reconhecer a diversidade cultural como um fator de desenvolvimento social e econômico.
Forças Culturais e Linguagens em Evidência
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Fonte: ocuiaba.com.br
O Censo Cultural também revela a força da música na identidade pernambucana, sendo esta a linguagem mais mencionada pelos agentes culturais, com 876 registros, representando 21,8% do total. Essa ênfase dialoga com a forte presença de manifestações como o frevo, maracatu, coco e outras expressões musicais que caracterizam a cultura do estado.
Em seguida, as linguagens de Cultura Popular e Artesanato aparecem com 753 (18,8%) e 749 (18,7%) registros, respectivamente. Juntas, essas três categorias somam cerca de 60% dos agentes mapeados, evidenciando o papel fundamental das manifestações tradicionais e populares na formação cultural de Pernambuco.
Retrato da Diversidade Racial no Cenário Cultural
O levantamento também fornece um importante retrato da diversidade racial presente entre os agentes culturais. A maioria se autodeclara parda, representando 45,1%, seguida por pessoas pretas que constituem 21,7% do total. Já as pessoas brancas correspondem a 27,4% dos participantes.
Esses dados indicam que as expressões de cultura popular e artesanato possuem uma significativa presença de agentes pretos e pardos, enfatizando a importância de implementar políticas culturais que levem em consideração as dimensões de identidade, território, memória e pertencimento na gestão pública.
Base de Dados Estratégica para o Futuro Cultural de Pernambuco
Com a divulgação dos resultados do Censo Cultural e o lançamento da plataforma do ObIC, Pernambuco passa a contar com uma base de dados estratégica. Essa ferramenta será crucial para direcionar investimentos, fortalecer a interiorização das políticas culturais e ampliar a escuta sobre as diversas realidades culturais existentes no Estado.
Os dados completos do Censo Cultural podem ser consultados na plataforma digital disponível em ObIC.

