Discussões Vitais e Propostas Coletivas
Nos dias 1º a 3 de maio, Brasília foi palco do III Encontro Nacional de Mulheres do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP). O evento, intitulado “Constelação Haroldo de Campos”, abordou a crítica realidade de violência contra as mulheres, bem como as desigualdades sociais e a sobrecarga do trabalho de cuidado nas periferias. Reunindo mulheres de diversos estados, o encontro se destacou pela necessidade urgente de fortalecer políticas públicas de proteção e enfrentamento ao feminicídio. O seminário não só reforçou a importância do atendimento institucional qualificado, mas também enfatizou a saúde mental das mulheres como uma questão central que merece atenção.
A programação incluiu debates intensos e a construção de propostas coletivas, visando o combate à violência de gênero e a defesa de políticas públicas voltadas para as mulheres. Durante os painéis, as participantes ressaltaram a carga desproporcional do trabalho de cuidado, que, historicamente, recai sobre as mulheres, comprometendo seu acesso a direitos e uma vida digna.
Avançando em Políticas de Cuidado
O evento enfatizou a criação de uma política nacional de cuidados que conte com financiamento público adequado e a ampliação de equipamentos como creches e serviços de apoio. As mulheres presentes acordaram na necessidade de valorizar o trabalho de cuidado e promover uma divisão mais equitativa dessas responsabilidades. Assim, a construção de coletivos fortes nos estados se destacou como um dos encaminhamentos políticos do encontro, visando a formação política e a presença paritária nos espaços de decisão.
Leia também: Aumento de Homicídios e Feminicídios em 2025: Dados Alarmantes do Anuário da SSP-DF
Leia também: Aumento do Risco de Feminicídio em Cidades Pequenas: Especialistas Alertam
Nova Liderança para o Coletivo
O encerramento do seminário ocorreu no dia 3 de maio, na sede da Contag, onde Andreza Romano foi eleita nova coordenadora nacional do Coletivo de Mulheres da CMP. Durante a plenária final, que contou com delegadas de vários territórios do país, Andreza enfatizou a importância de criar um coletivo inclusivo e representativo, destacando que a força da CMP reside na diversidade das periferias.
“O enfrentamento ao feminicídio deve ser prioridade e precisa envolver toda a sociedade”, afirmou. Ela também reforçou a necessidade de mobilização política, especialmente em um ano eleitoral. “Queremos chegar a todas as comunidades. O cenário eleitoral é decisivo: pode ampliar ou restringir direitos e fortalecer políticas públicas, por isso, devemos estar atentas”, declarou.
Leia também: Colaboratório Com Elas: Um Ano de Luta contra o Feminicídio no DF
Leia também: Feminicídios em São Paulo Crescem 96% em Quatro Anos: Uma Realidade Alarmante
Um Encontro de Conexões e Ações
A mesa de abertura do encontro contou com importantes representantes de instituições e organizações. Entre eles estavam Andreza Romano, Miriam Hermógenes, Cristiane Santos do Ministério da Saúde, e Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres. O evento também promoveu oficinas e mesas de debate sobre violência de gênero, políticas de cuidado e saúde mental, coordenadas por Genilce Gomes e Melayne Macedo, com a colaboração de outros especialistas.
Ao término do evento, as participantes se comprometeram a transformar as propostas debatidas em ações concretas, reafirmando a luta cotidiana pela dignidade e pela construção de um futuro sem violência para todas as mulheres.

