Uma Política para o Futuro da agropecuária
No último sábado (25), a Feira Brasil na Mesa, evento organizado pela Embrapa em celebração aos seus 53 anos, foi palco de uma palestra do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O foco foi a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária, conhecida como Rgen+Sustentável. Este programa, lançado em abril de 2025, visa não apenas a preservação da diversidade genética, mas também a promoção de seu uso sustentável, essencial para o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional do Brasil.
A Rgen+Sustentável tem como meta ampliar a base genética das instituições de pesquisa, além de contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola. Assim, a política busca garantir que os recursos genéticos, que englobam uma vasta gama de espécies de plantas, animais e microrganismos, sejam utilizados de forma eficaz tanto na alimentação quanto na agropecuária.
Durante a apresentação, Paulo Mocelin, responsável pela coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Mapa, enfatizou a relevância desse tema, que ainda não é totalmente conhecido pelo público em geral. “Embora os recursos genéticos não sejam um assunto popular, eles são cruciais para o futuro da agropecuária. A Política Nacional, estabelecida pelo Decreto nº 12.097, de 2024, define estratégias para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade agrícola”, comentou Mocelin. Ele também destacou que essa política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica.
O Potencial do Brasil em Recursos Genéticos
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O Brasil, reconhecido por sua vasta diversidade de espécies e ecossistemas, possui um clima privilegiado para a agropecuária, além de um sistema de pesquisa robusto e legislações que favorecem parcerias internacionais. “Temos um grande potencial para explorar nossa biodiversidade de forma sustentável”, disse Mocelin.
A Rgen+Sustentável é uma iniciativa que busca promover a conservação e o uso responsável dos recursos genéticos, incentivando a adoção de novas tecnologias e a articulação entre diversos atores do setor. Além disso, a política fortalece o intercâmbio de variedades tradicionais e valoriza os saberes das comunidades tradicionais, reconhecendo a importância do Conhecimento Tradicional Associado (CTA).
As diretrizes de informação e capacitação da política preveem ações que visam divulgar a importância estratégica dos recursos genéticos, formar redes de colaboração e ampliar o acesso a informações científicas, contribuindo para um efetivo fortalecimento do setor agrícola brasileiro.
Avanços em Pesquisa e Inovação
A política também se conecta com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que busca desenvolver projetos voltados para o melhoramento genético de culturas como arroz, milho e mandioca. O Mapa, como responsável pela implementação dessa política, vai definir planos de ação e estruturar redes para fomentar a pesquisa e a inovação.
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Além disso, no penúltimo dia da Feira, o Mapa promoveu uma palestra sobre a promoção comercial e a internacionalização do setor agroalimentar, reforçando a importância do diálogo nas relações internacionais. Fabiana Maldonado, coordenadora-geral de Articulação do Mapa, destacou a relevância da intermediação em negociações com países interessados em produtos brasileiros, sendo fundamental para a efetividade das exportações.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), frutas como melão, manga e uva estão entre as mais exportadas, além do açaí no setor de sociobiodiversidade, demonstrando o potencial do Brasil como um dos maiores produtores de frutas do mundo, atrás apenas de China e Índia.
Oportunidades de Expansão no Mercado Internacional
Fabiana enfatizou que o Brasil já alcançou 600 mercados abertos globalmente, o que favorece o acesso dos produtos brasileiros e a diversificação das exportações. “A ampliação da presença brasileira no cenário internacional depende de informações, capacitação e parcerias estratégicas”, afirmou. A Caravana do Agro Exportador, uma iniciativa do Mapa, foi criada para fomentar a cultura exportadora, promovendo seminários e workshops que conectam produtores a oportunidades no exterior.
Ao concluir sua apresentação, Fabiana ressaltou que transformar as oportunidades em negócios requer preparo e colaboração, especialmente para pequenos produtores, que podem se beneficiar de ações coletivas através de associações e cooperativas.
Feira Brasil na Mesa: Uma Vitrine de Inovação
A Feira Brasil na Mesa, que ocorre na Embrapa até este sábado (25), apresenta uma programação diversificada que vai além de palestras e exposições, incluindo degustações de produtos e demonstrações de novas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Novas cultivares de feijão, soja e sorgo gigante foram lançadas, ampliando as alternativas para aumentar a produtividade no campo.
O evento é uma oportunidade de integração entre ciência e produção, com atividades interativas que promovem a valorização do trabalho dos agricultores e a conscientização sobre a importância da inovação nas cadeias produtivas. Os visitantes têm a chance de experimentar a riqueza da biodiversidade brasileira enquanto conhecem as iniciativas que moldam o futuro do agronegócio no país.

