Aumento de Capital do BRB em Debate
BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) deu um passo importante ao aprovar uma proposta que permitirá um aporte de até R$ 8,86 bilhões. Esse valor é crucial para cobrir as perdas significativas resultantes da crise do Banco Master. Apesar dessa aprovação, o governo do Distrito Federal ainda enfrenta incertezas sobre como será realizado esse aporte financeiro.
Atualmente, a gestão do DF está sem recursos disponíveis e busca diversas alternativas para conseguir o dinheiro necessário. Um dos caminhos cogitados foi solicitar um empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de tentar financiamento com outros bancos. No entanto, as respostas até agora não têm sido favoráveis.
Opções de Financiamento em Análise
Outras possibilidades estão sendo avaliadas pelo governo, incluindo uma operação de securitização da dívida do Distrito Federal. Isso implicaria na venda de uma parte da dívida no mercado, permitindo ao governo antecipar os valores a receber de seus credores. Além disso, uma demanda por socorro ao governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também foi aventada, embora o presidente tenha se mostrado relutante em oferecer ajuda neste momento. A situação é complicada, pois o governo do DF não possui nota de crédito suficiente para receber assistência financeira da União.
Na noite de segunda-feira, 20, o BRB informou ao mercado financeiro que firmou um acordo com a gestora Quadra Capital para vender R$ 15 bilhões em ativos remanescentes do Banco Master. Esses ativos, que estão registrados no balanço do BRB, têm se desvalorizado e contribuído para a deterioração financeira da instituição. Caso a venda se concretize, o banco poderá melhorar sua liquidez, mas ainda assim precisará do aporte para sanar o rombo em seu patrimônio.
Críticas e Propostas Alternativas na Reunião de Acionistas
Durante a reunião de acionistas, Luiz Fernando Martins, representante da Associação Nacional dos Empregados Ativos e Aposentados do Banco de Brasília (ANEABRB), expressou preocupações e sugeriu uma modificação na forma de aporte. Ele pediu a suspensão da deliberação atual e sugeriu que a capitalização não fosse realizada por meio da subscrição privada de ações, como inicialmente proposto pela diretoria do banco. A ideia é que o aporte seja feito via reserva de capital, o que preservaria a participação acionária dos demais acionistas, incluindo a ANEABRB.
Martins também criticou a falta de um balanço auditado do BRB referente a 2025, além da ausência de uma memória de cálculo e de laudo independente do preço de emissão das ações. Ele ressaltou que, sem uma análise precisa do uso de imóveis públicos no plano de socorro ao banco, não seria possível aprovar o aumento de capital de maneira informada. De acordo com o representante, a venda dos ativos do Banco Master por R$ 15 bilhões poderia agravar ainda mais a situação, visto que as irregularidades detectadas podem superar R$ 20 bilhões.
“Não há como se deliberar o aumento de capital sem conhecer o valor exato do prejuízo, sem ter clareza sobre o montante necessário e sem números auditados”, afirmou Martins durante a reunião. Apesar das objeções levantadas, o conselho de administração do BRB acabou aprovando a proposta original de aumento de capital.

