Um Novo Espaço para a Cultura em Brasília
Com a participação de mais de 20 pensadores e artistas renomados, o seminário intitulado ‘Cultura para Quê?’ marca o início de um importante ciclo de debates sobre o papel da arte na sociedade. O evento, que também serve como prévia do novo centro cultural do Sesc no Distrito Federal, destaca a relevância da arte em tempos contemporâneos. Durante o seminário, o gerente do Sesc Cultural, Leonardo Hernandes, conversou com os jornalistas Severino Francisco e Nahima Maciel no Podcast do Correio, abordando as expectativas e a concepção do espaço.
Segundo Hernandes, este seminário é uma peça fundamental na construção do novo centro cultural e busca engajar a cidade em sua proposta. “Esse seminário é um anúncio para a população de que esse centro cultural vai se concretizar. Queremos um espaço que fomente hibridismos artísticos, onde as artes e as tecnologias possam dialogar e conviver”, explicou. A ideia é que o novo espaço não se restrinja apenas à circulação artística, mas também funcione como um polo de produção intelectual e criação curatorial. “Desejamos que este seja um local de reflexão e construção de conhecimento”, completou.
Um Espaço Dedicado à Formação Cultural
O seminário também deu início à edição zero de uma nova série de publicações que servirão de guia para os futuros curadores do centro. “Vamos reunir textos dos convidados internacionais e usar esses conteúdos para orientar as primeiras exposições e ações do espaço”, afirmou Hernandes. A intenção é que a publicação funcione como uma carta de intenções para os próximos passos do novo centro cultural.
A proposta visa estabelecer Brasília como um ponto neurálgico para a conexão de diferentes manifestações culturais, tanto local quanto internacionalmente. “Falo frequentemente sobre a vocação do Brasil Central para unir a produção cultural, desde o sul do Amazonas até o Triângulo Mineiro, e queremos criar essas pontes”, disse o gerente.
Construa uma Comunidade Cultural
O seminário não é apenas um evento pontual, mas também o início de um processo contínuo de diálogo e construção coletiva. Hernandes revelou que após o seminário, novos encontros ocorrerão em diversas cidades e nas unidades do Sesc, promovendo discussões com as comunidades culturais. “Estamos atentos ao processo arquitetônico que está em andamento, mas as conversas sobre conteúdo e discurso estão começando agora, de forma colaborativa”, destacou.
Estruturas Inovadoras para o Futuro
Previsto para ser inaugurado em 2028, o novo centro cultural será a primeira unidade do Sesc no Distrito Federal totalmente dedicada às artes. Localizado na 511 Norte, o espaço contará com diversas instalações voltadas para a produção, difusão e formação cultural, incluindo galerias com padrões internacionais, laboratórios criativos, teatros e espaços multifuncionais. Hernandes destacou a importância de ter um ambiente com controle de luz, umidade e temperatura, além de tecnologias que permitam um diálogo entre o tradicional e o moderno—como um laboratório onde o pincel se encontra com a impressora 3D.
Ativação Cultural Durante o Processo de Construção
Enquanto as obras não começam, a estratégia do Sesc é manter o espaço ativo com uma programação cultural diversificada. “O Sesc Cultural já existe e vamos ocupar o prédio, realizando seminários e festivais, para que a cidade viva esse processo desde já”, explicou. O calendário incluirá novos seminários, eventos voltados à arte infantil e iniciativas que visam antecipar a atuação do centro cultural quando estiver em funcionamento.
A Potência Artística de Brasília
Ao refletir sobre a cena cultural da capital, Hernandes reafirmou a força artística de Brasília, reconhecendo, porém, suas lacunas. “Já fomos a capital do rock e agora também somos vistos como a cidade do choro. Existe uma tradição e potência artística inegáveis, mesmo que algumas ausências sejam parte dos ciclos das políticas culturais”, disse. Para ele, a cultura é fundamental na construção da identidade de cada cidade. “Ninguém visita Liverpool apenas pelos portos da Revolução Industrial, mas pela influência dos Beatles. A cultura é o que dá significado aos lugares”, comentou.
O gestor acredita que Brasília está passando por um processo de valorização de sua identidade. “A cidade começou a se apropriar mais de sua iconografia e a ocupar seus espaços. Está cada vez mais vibrante culturalmente, e o Sesc quer ser um agente desse movimento”, concluiu.
Além disso, Hernandes enfatizou a importância de superar o isolamento cultural que Brasília frequentemente enfrenta em relação aos grandes centros culturais do Brasil, como Rio e São Paulo. “Embora sejamos a capital e tenhamos todas as representações, ainda somos percebidos como isolados. Temos que criar conexões e fazer com que Brasília se torne também um destino dentro do circuito cultural do país”, finalizou.

