Governadora Aponta Dificuldades no Apoio Federal
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do Progressistas (PP), evitou, nesta quarta-feira (15), entrar em detalhes sobre o avanço do plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB). Em declarações, ela expressou perceber uma falta de boa vontade por parte da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ajudar a instituição financeira do DF. O BRB enfrenta uma crise significativa desde a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master e a compra de carteiras fraudulentas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a governadora, o governo federal não tem dado respostas às solicitações de ajuda. “Pedimos tudo, mas não vejo a boa vontade necessária”, declarou Celina. Recentemente, em uma conversa por telefone com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a governadora trouxe à tona a situação delicada do banco.
Apoios Desiguais na Visão de Celina Leão
De acordo com a Folha de S.Paulo, a avaliação do governo Lula é de que o problema do BRB deve ser resolvido pelo próprio distrito, uma vez que ele é o acionista controlador da instituição. Celina, por sua vez, argumentou que o governo federal mostrou disposição em ajudar outros bancos, como o Digimais, vinculado ao bispo Edir Macedo, que está em processo de compra pelo BTG Pactual. Essa aquisição, entretanto, depende de aprovações do Banco Central e do Cade, além de um possível acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que não está diretamente ligado ao governo federal.
“É evidente que não há vontade de agir. Acredito que isso é lamentável, pois é necessário ter institucionalidade”, enfatizou a governadora. “Embora eu seja uma governadora de direita, sempre estarei aberta ao diálogo sobre minha cidade. Esperava uma postura semelhante de Lula, mas isso não ocorreu”, afirmou Celina.
Preparativos Políticos e Crise no BRB
Celina Leão é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que busca uma vaga no Senado. Ao ser indagada por jornalistas sobre o pedido de empréstimo feito ao FGC e as negociações do BRB com a gestora Quadra Capital, a governadora optou por não fazer comentários, visando evitar ruídos com o mercado financeiro. “Todas as medidas necessárias estão sendo tomadas. O que for acordado com o Banco Central será divulgado quando apropriado”, disse.
“O BRB é um banco sólido e possui uma trajetória importante na cidade”, reforçou Celina em suas declarações. O discurso otimista foi igualmente refletido pelo presidente do banco durante um evento com empresários em Brasília, onde garantiu que a instituição não enfrentará colapsos financeiros. “Aqueles que pensam que o BRB não resistirá estão enganados. O banco se tornará cada vez mais forte e será um ícone para o povo de Brasília e região”, afirmou.
Desconfiança e Desafios pela Frente
No entanto, a desconfiança entre os investidores aumentou após o adiamento da divulgação do balanço de 2025, o que desrespeitou os prazos legais para companhias de capital aberto. Sem a apresentação das demonstrações financeiras, permanece incerta a extensão das perdas decorrentes das operações com o Banco Master, que, segundo investigações, resultaram na aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos. Em março, foi sancionada uma lei permitindo que o governo do DF contrate até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC e instituições financeiras.
“Estamos passando por um momento desafiador que exige responsabilidade e decisões firmes. É exatamente nesses períodos que se evidenciam os verdadeiros pilares de uma instituição”, destacou o presidente do BRB. Ele ressaltou ainda que o banco está implementando um trabalho contínuo de fortalecimento, focando na eficiência operacional, melhoria da governança e disciplina na gestão. “Estamos revisando processos e elevando o padrão das nossas decisões”, concluiu.
Recentemente, houve mudanças na administração do BRB com a destituição dos diretores Diogo Ilário de Araújo Oliveira, responsável por Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, que atuava na área de Tecnologia. Uma análise do escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, levantou suspeitas sobre a atuação de antigos gestores, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa.

