Conflito em Brasília: Estudantes e Polícia se Enfrentam Durante Ato
Na tarde desta quinta-feira (26), estudantes secundaristas enfrentaram a agressão de policiais militares vinculados ao governo de Ibaneis Rocha (MDB) em uma manifestação pacífica em frente à Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF). O ato ocorreu no shopping ID, localizado no Setor Comercial Norte (SCN), e tinha como objetivo prestar homenagens a Edson Luiz, um jovem cuja vida foi ceifada durante a ditadura militar brasileira por lutar por melhores condições educacionais.
A manifestação, organizada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e pela União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), exigia o fim das escolas cívico-militares e a devolução de recursos que, segundo os participantes, foram desviados da educação. A marcha teve início na Torre de TV e seguiu em direção à Secretaria de Educação, um movimento que, conforme os estudantes, evidencia as prioridades do governo local.
Ao chegar ao local, os manifestantes foram surpreendidos pela segurança do shopping, que bloqueou todas as entradas e saídas. Enquanto representantes das entidades estudantis foram autorizados a conversar com o subsecretário, o restante dos estudantes ficou do lado de fora, onde a polícia iniciou a repressão.
Beatriz Nobre, membro do Movimento Kizomba, que também foi agredida na ação, relatou: “Os meninos estavam apenas segurando cartazes e mastros de bandeira de seus grêmios estudantis. Começaram a recolher os mastros, inclusive o da minha mão, mesmo sem resistência. Tentávamos apenas sair, mas começaram a empurrar os estudantes, prensando alguns contra o corrimão da escada em frente à Secretaria de Educação.”
Os participantes do ato criticaram a desproporcionalidade da reação policial, que incluiu agressões a adolescentes, como ocorreu com Maria Moura, uma jovem de 15 anos que levou um tapa no rosto. “Tacaram spray de pimenta, bateram com cacetete, deram um tapa em uma menina de 15 anos, e um soco no estômago de outro rapaz, também menor. Isso é totalmente desproporcional, ainda mais em um dia simbólico que rememora Edson Luiz”, ressaltou Beatriz.
A Intensificação da Repressão
A situação se agravou quando os estudantes tentaram se organizar para deixar o local, após a demora na resposta da comissão de diálogo. Eles foram surpreendidos pela ação brusca das forças de segurança, que não permitiram a saída de forma pacífica. “A gente já estava organizando a saída, tentando encaminhar os meninos, quando começaram a agir com agressividade, sem necessidade nenhuma”, conta Beatriz Nobre, observando que não havia resistência por parte dos manifestantes.
Ela ainda destacou o risco que a tática policial trouxe aos jovens. “Eles começaram a formar um cordão para empurrar todo mundo, mas não deixavam espaço para sair. Tinha corrimão, escada, e os meninos ficaram sem ter para onde ir”, acrescentou.
A estudante acredita que a ação revela um despreparo e uso excessivo da força contra jovens que estavam, segundo ela, exercendo seu direito de manifestação e tentando se recompor após uma tentativa de diálogo que não se concretizou.
Para os secundaristas, o episódio é um reflexo de um padrão de hostilidade contra manifestações estudantis no Distrito Federal, sob a administração de Ibaneis e Celina. O clima de repressão em atos de protesto e reivindicação é motivo de preocupação entre os jovens estudantes.
O Brasil de Fato DF tentou entrar em contato com a Polícia Militar do Distrito Federal e a Secretaria de Educação para obter um posicionamento sobre os acontecimentos, mas até o momento não houve resposta.

