Uma Nova Era para a Proteção Animal
Nos últimos sete anos, a proteção animal no Distrito Federal passou de iniciativas isoladas para uma política pública robusta e estruturada. Essa evolução culminou na criação da Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan-DF), estabelecida em outubro de 2024, com a finalidade de centralizar e intensificar a rede de atendimento voltada aos animais.
De acordo com Cristiano Lopes da Cunha, secretário da pasta, essa medida não apenas ampliou a autonomia da secretaria, mas também consolidou programas permanentes que abrangem desde atendimentos veterinários até campanhas de castração e identificação animal. ‘Com esse destaque, a secretaria pode ter mais autonomia para trabalhar na pauta animal’, destaca o secretário. Desde 2019, os atendimentos e cirurgias disponíveis no serviço público registraram um crescimento significativo, triplicando a demanda e evidenciando a qualidade do serviço.
A atual política de proteção animal é abrangente e integrada, incluindo atendimento clínico, controle populacional, identificação eletrônica, educação e ações de resgate ambiental. Um dos principais programas implementados é o Castra DF, que contabilizou mais de 80 mil castrações entre 2019 e 2025. Este serviço disponibiliza vagas em campanhas, além de atender grandes plantéis, com agendamento virtual através do Agenda DF e procedimentos realizados em clínicas credenciadas.
Localizado no Parque do Cortado, em Taguatinga Norte, o principal hospital veterinário público (Hvep) já prestou mais de 160 mil atendimentos desde 2019, englobando consultas e cirurgias. O aumento nos atendimentos é notável, saltando de aproximadamente 13 mil em 2019 para 32,5 mil em 2025. Para facilitar o acesso aos serviços veterinários, a unidade itinerante Hvep Móvel foi lançada, permanecendo cerca de três meses em cada localidade. Atualmente, a unidade está presente no Itapoã, após ter atendido em outras 11 regiões do DF.
Em um ato histórico, o governador Ibaneis Rocha sancionou, em 2025, a lei que institui o Programa de Apoio aos Protetores de Animais, além de decretos que criam os cartões Ração e Castração. Essas iniciativas visam reconhecer o trabalho de protetores independentes, abrigos e organizações, proporcionando suporte financeiro para aquisição de insumos em lojas credenciadas, beneficiando animais abandonados, como cães e gatos.
O impacto positivo dessas ações é exemplificado pela história de Maia, uma cadela abandonada em 2020, perto do Hvep, durante a pandemia. Encontrada em estado crítico por Rute Rocha, de 60 anos, Maia foi diagnosticada com tétano e recebeu tratamento no hospital público. Após a recuperação, a cadela foi adotada por Rute, que não hesita em elogiar a estrutura e a dedicação dos profissionais do serviço. ‘Para mim, o Hvep foi um milagre’, afirma, enquanto leva regularmente seus seis animais para atendimento na unidade fixa.
O secretário enfatiza que a política desenvolvida promove não apenas a conscientização, mas também a proteção dos animais, incentivando a comunidade a participar ativamente no combate ao abandono e aos maus-tratos. A proposta é reconhecer os animais como membros fundamentais da família, fortalecendo esse vínculo com a sociedade.

