Pressão do Banco Central acelera formalização da capitalização
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), formalizou o compromisso de capitalização do Banco de Brasília (BRB) após ser alertado sobre a possível indisponibilidade de seus bens pessoais, caso o Banco Central (BC) decretasse um regime especial para a instituição. Essa decisão emergiu em um contexto de crise financeira, originada pelo colapso do Banco Master em 2025, e a crescente pressão nas operações do BRB, que enfrenta uma situação crítica devido a transações suspeitas que resultaram em perdas bilionárias.
A crise em questão envolve a aquisição de cerca de R$ 12 bilhões em créditos considerados fraudulentos relacionados ao Banco Master, além de investigações sobre transferências de ativos feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para uma holding localizada no exterior. Esse cenário pressionou o BRB, levando o governo do DF a buscar urgentemente alternativas para reforçar o capital do banco público.
Compromisso formal exigido pelo Banco Central
No dia 13 de fevereiro de 2026, o Banco Central enviou um ofício ao governo do Distrito Federal, exigindo um termo de compromisso formal para a capitalização do BRB, a ser assinado pelo controlador da instituição — ou seja, pelo próprio governo distrital. Até aquele momento, Ibaneis Rocha ainda não havia avançado em uma proposta de socorro financeiro, em parte devido a preocupações políticas vinculadas ao impacto de tal medida no contexto eleitoral, com o governador planejando deixar o cargo em 28 de março de 2026 para concorrer a uma vaga no Senado.
A situação, no entanto, mudou quando advogados e auxiliares do governo sinalizaram que a legislação financeira prevê a possibilidade de indisponibilidade de bens dos controladores das instituições financeiras que estejam sob intervenção ou regime especial. Esse alerta foi suficiente para que o governador agilizasse o processo de formalização do compromisso com o regulador.
Encaminhamentos à Câmara Legislativa
Entre as medidas propostas, destacam-se:
- Recomposição do patrimônio líquido do BRB;
- Contratação de operações de crédito para financiar a capitalização;
- Captação de até R$ 6,6 bilhões.
Como o governo distrital não possui recursos próprios suficientes para realizar o aporte imediato, a proposta contempla a possibilidade de contratação de empréstimos com instituições financeiras ou o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Desafios e prazos regulatórios
A urgência da capitalização é impulsionada pelas exigências do Banco Central, que requer a publicação das demonstrações financeiras do BRB até 31 de março de 2026,data crítica para a sobrevivência da instituição. O não cumprimento dessas determinações regulatórias pode resultar em medidas drásticas, como a limitação da remuneração de administradores, a suspensão da abertura de novas linhas de negócio, a proibição da expansão da rede de agências e até a venda de ativos.
Uma preocupação central da autoridade monetária é que a divulgação do balanço financeiro revele de forma clara o impacto das operações com o Banco Master, o que poderia minar a confiança de investidores e correntistas no BRB.
Contexto do colapso do Banco Master
A situação atual do BRB está intimamente ligada ao colapso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A instituição foi identificada como tendo uma situação financeira gravemente deteriorada, o que levou à adoção de medidas excepcionais para resguardar o sistema financeiro nacional. Investigações indicam que o BRB adquiriu operações de crédito que, posteriormente, foram consideradas irregulares, ocasionando perdas significativas.
Movimentações suspeitas no exterior
Além disso, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro transferiu, entre janeiro e julho de 2025, ao menos R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma holding nas Ilhas Cayman. Essas movimentações ocorreram por meio de uma intrincada rede de fundos de investimento, evidenciando a gravidade da situação.
As investigações também apontam que as transferências ocorreram no mesmo período em que o BRB e o Banco Master estavam em negociações para a possível venda da instituição privada ao banco público, um negócio que acabou sendo rejeitado pelo Banco Central após uma análise técnica cuidadosa.
Pressão política e possíveis desdobramentos
A crise financeira ganhou contornos políticos significativos no Distrito Federal. O diretório regional do PSB protocolou um pedido de afastamento do governador Ibaneis Rocha junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que o escritório de advocacia do qual ele é sócio teria vendido direitos sobre honorários a um fundo vinculado a uma gestora investigada por fraudes ligadas ao Banco Master. Ibaneis, por sua vez, afirmou estar afastado do escritório desde 2018. A situação permanece tensa, com acompanhamentos rigorosos de autoridades e da sociedade.

