Mobilização pela Proteção Ambiental
Neste domingo (8), moradores e ativistas se uniram na Serrinha do Paranoá, localizada no Distrito Federal, para exigir a proteção de uma área ambiental que está sob risco devido a um polêmico projeto de lei. Esta proposta, que visa o socorro do Banco de Brasília (BRB), foi recentemente aprovada pela Câmara Legislativa e busca transferir nove imóveis públicos para o patrimônio do banco.
A Serrinha do Paranoá, considerada o mais valioso dos lotes, está avaliada em impressionantes R$ 2,3 bilhões, um montante que representa mais de um terço do total de R$ 6,6 bilhões que o governo do DF espera injetar no BRB. Especialistas e ambientalistas destacam a importância da Serrinha, que abriga mais de 100 nascentes e é reconhecida como um importante manancial hídrico da região Centro-Oeste.
O ato de protesto foi uma resposta às preocupações de várias entidades que lutam pela preservação da área, considerando a inclusão da Serrinha no projeto uma ameaça significativa ao meio ambiente. Além disso, a manifestação contou com a participação de diversos grupos e cidadãos que buscam conscientizar a população sobre as consequências que a venda e o uso dos terrenos podem trazer.
Entenda o Projeto de Lei
De acordo com o projeto em tramitação, o governo do DF e o BRB têm algumas alternativas para utilizar esses imóveis públicos a fim de ajudar o banco. Uma das opções é a transferência direta dos lotes para o BRB, tornando-os ativos imobilizados do banco.
Outra possibilidade é a venda dos imóveis, que foi explicitamente autorizada no texto da lei. Os lotes em questão pertencem ao patrimônio do Distrito Federal ou a órgãos como Terracap, Novacap, CEB e Caesb. Outras medidas também estão previstas, permitindo que o BRB e o governo do DF explorem outras formas de reforçar o patrimônio do banco através desses imóveis, que incluem a possibilidade de solicitar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou por meio de instituições financeiras.
Quais Imóveis Estão em Jogo?
O projeto lista diversos imóveis que podem ser utilizados como garantia para a operação. Entre eles, destacam-se:
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote F (Caesb): R$ 632 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote C (CEB): R$ 547 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote B (Novacap): R$ 1,02 bilhão;
- Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01 (Taguatinga): R$ 491 milhões;
- Serrinha do Paranoá (Gleba A), 716 hectares (Terracap): R$ 2,2 bilhões;
- Setor de Áreas Isoladas Norte (antigo lote da PM): R$ 239 milhões.
Os desdobramentos dessa situação seguem sendo monitorados por ambientalistas e pela população do Distrito Federal, que tem se mobilizado cada vez mais em defesa da preservação ambiental. O futuro da Serrinha do Paranoá ainda é incerto, e as manifestações devem continuar à medida que o projeto avança.

