Estudo da Venda e Aportes Urgentes
BRASÍLIA – O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, informou que a instituição está considerando a venda da Financeira BRB por aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Essa estratégia visa aumentar a liquidez do banco. A declaração foi feita durante uma reunião a portas fechadas com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), conforme relataram os presentes.
O governo do Distrito Federal enfrenta um desafio no sentido de aprovar um projeto que permita um aporte significativo de recursos no BRB. O jornal Estadão já havia noticiado que o Banco Central pode implementar medidas prudenciais preventivas na instituição, caso a capitalização não ocorra antes do dia 31 de março, data em que deve ser publicado o balanço da instituição.
Fontes próximas ao banco indicam que os problemas financeiros enfrentados pelo BRB não se resolverão apenas com a venda de ativos. As soluções dependem, na verdade, de aportes adicionais feitos pelo controlador da instituição.
Durante sua fala na Câmara, Souza descreveu a postura do Banco Central como “colaborativa” na busca por alternativas que garantam a saúde financeira do BRB. O presidente do banco também mencionou que existem diversos interessados em uma operação de crédito com o governo do DF, mas não revelou nomes. Esse projeto prevê um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, que pode ser obtido junto a instituições financeiras ou através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Necessidade de Socorro e Valoração dos Imóveis
Mais cedo, o Estadão publicou que Souza alertou os deputados sobre o risco de paralisação das atividades do BRB se não houver um socorro financeiro por parte do governo distrital. A Terracap, empresa pública do DF, apresentou aos deputados uma estimativa que indica que os imóveis que podem ser vendidos pelo governo para arrecadar fundos para a capitalização do BRB estão avaliados em cerca de R$ 6,4 bilhões. Um participante da reunião relatou que Souza manifestou a intenção de aprovar a proposta para incluir o valor desses imóveis como ativo contábil do banco, mesmo que esses bens não garantam liquidez imediata.
O aporte governamental no BRB é considerado crucial devido às perdas associadas à compra de R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master. Embora a instituição tenha conseguido trocar esses créditos por outros ativos pertencentes a Daniel Vorcaro, a qualidade questionável dos papéis ainda deve resultar em perdas entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.
Com um patrimônio líquido de referência de pouco mais de R$ 4 bilhões, uma provisão para perdas de R$ 5 bilhões poderia deixar o banco em uma situação financeira deficitária. Esse valor foi destacado por Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, como a quantia que o BRB deveria provisionar devido aos problemas com o Banco Master, em depoimento à Polícia Federal no último dia 30 de dezembro.

