Entrevista com Raquel Cândido
A diretora-tesoureira da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), Raquel Cândido, participou de uma conversa exclusiva com a jornalista Ana Maria Campos, publicada na coluna Eixo Capital do Correio Braziliense em 1º de março de 2026. Na entrevista, Raquel explicou a nova resolução aprovada pela Seccional, que estabelece restrições para integrantes da Ordem durante as eleições gerais deste ano. Segundo Raquel, a medida não proíbe a participação de advogados nas eleições, mas organiza as normas internas da OAB/DF.
De acordo com Raquel, a nova regulamentação exige que pré-candidatos a cargos na OAB renunciem a suas funções e proíbe manifestações de apoio político em espaços institucionais, tanto físicos quanto digitais. “A participação política é livre, mas deve ocorrer fora do ambiente institucional da Ordem”, enfatizou. A diretora ressaltou a necessidade de preservar a independência da entidade para que esta possa atuar com imparcialidade e seriedade, especialmente no que diz respeito à fiscalização do cumprimento das normas da Justiça Eleitoral.
Consequências do descumprimento da resolução
Raquel Cândido abordou também quais serão as consequências para aqueles que não cumprirem as diretrizes estabelecidas. “Qualquer conduta que contrarie a resolução será analisada pelo Tribunal de Ética e Disciplina da Seccional, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa”, explicou. As sanções previstas podem variar, incluindo advertências, censuras e até mesmo a exclusão do quadro da OAB, conforme determina o Código de Ética da entidade.
A diretora fez questão de destacar que a resolução foi elaborada para regular o funcionamento interno da OAB-DF. “Advogados podem se engajar politicamente, mas não dentro dos espaços institucionais da Ordem”, afirmou Raquel, reiterando que a independência da OAB é uma questão de interesse público. Ela fez um paralelo com a importância de manter as eleições gerais como uma disputa externa, sem interferências que possam conturbar o ambiente da Ordem.
Participação da OAB em pautas sociais
Durante a entrevista, Raquel também foi questionada sobre a atuação da OAB-DF em relação a pautas sociais, independentemente das candidaturas. A diretora revelou que a Diretoria aprovou a criação de um Observatório Eleitoral. Este órgão servirá como um canal para a sociedade civil reportar abusos ou descumprimentos da legislação eleitoral. Entre os assuntos que serão acompanhados estão os direitos das candidaturas femininas e a alocação de recursos do fundo eleitoral, especialmente em relação a grupos vulneráveis.
Raquel fez uma observação importante: “Não podemos ter disputas internas na OAB, pois isso geraria conflitos de interesse”. Para ela, a criação do Observatório é fundamental para garantir que a Ordem mantenha seu papel de fiscalização durante o período eleitoral.
Expectativas para as eleições de outubro
Por fim, a diretora foi indagada sobre a possibilidade de eleições tranquilas em outubro, especialmente diante das tensões políticas atuais. Raquel reconheceu que o cenário está polarizado, mas reforçou a importância da independência da OAB-DF. Ela também mencionou o caso do Banco de Brasília (BRB), afirmando que a OAB/DF deve acompanhar cuidadosamente a situação e garantir que a instituição seja preservada como um patrimônio público, com os investimentos voltados para as necessidades da sociedade.
“A OAB se compromete a fiscalizar que qualquer aporte financeiro ao BRB venha acompanhado de contrapartidas que beneficiem a população, como melhores serviços públicos e moradia”, concluiu Raquel Cândido, reafirmando o compromisso da Ordem em atuar em defesa do interesse público.

