Contribuições de Goldberg Transformaram a Percepção da Agricultura
Ray Goldberg, professor da Harvard Business School e criador do termo ‘agronegócio’, faleceu aos 99 anos em sua residência na última segunda-feira, 16. Ele foi um dos principais responsáveis por revolucionar a maneira como o mundo vê a agricultura, transitando da simples produção agrícola para um entendimento mais abrangente que abrange toda a cadeia produtiva, incluindo insumos, processamento, logística, distribuição e consumo.
Goldberg consolidou, ao lado de John Davis, o conceito de agribusiness na década de 1950, propondo que a atividade agrícola deveria ser analisada como uma cadeia coordenada que vai da fazenda até o consumidor final. Natural de Dakota do Norte, formou-se em Artes (A.B.) pela Harvard University em 1948, obteve seu MBA pela Harvard Graduate School of Business Administration em 1950 e completou seu doutorado (Ph.D.) em Economia Agrícola pela University of Minnesota em 1952.
Em 1955, Goldberg e Davis fundaram o Programa de Agronegócios da Harvard Business School. Entre 1970 e 1997, ocupou a cátedra Moffett de Agricultura e Negócios, liderando o programa. A partir de 1º de julho de 1997, já como professor emérito, passou a presidir os Seminários de Alta Gestão em Agronegócios da instituição, continuando a influenciar gerações de estudantes e profissionais.
Além de sua posição na Harvard Business School, Goldberg lecionou na John F. Kennedy School of Government, onde ministrou cursos sobre Política Alimentar e Agronegócio, e também conduziu um seminário sobre o impacto das mudanças climáticas no sistema alimentar global. Seu prestígio o fez receber o reconhecimento como professor honorário da Royal Agricultural University, na Inglaterra.
Goldberg não apenas se destacou no ambiente acadêmico, mas também atuou como conselheiro para governos, empresas e organizações internacionais, sendo amplamente reconhecido como um dos “pais” do agronegócio moderno. Sua visão e ideias impactaram diversos países, incluindo o Brasil, onde o conceito de agronegócio se tornou um dos pilares da economia nacional.
Entre suas declarações mais marcantes, destacam-se: “A agricultura é importante demais para ser deixada apenas nas mãos dos agricultores” e “A comida é o denominador comum que conecta empresas, governo, ciência e consumidores”. Sua morte representa uma perda significativa para o setor agrícola, que perde uma de suas figuras mais influentes na consolidação da agricultura como uma atividade estratégica em nível global.

