Estudo Revela Desempenho Cultural dos Estados Brasileiros
Um estudo recente, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior (PPAC), resultou na criação do Índice de Cultura (ICult). Essa ferramenta visa avaliar o desempenho cultural das diferentes unidades federativas do Brasil. A pesquisa, concluída em 2023, utilizou dados disponíveis nas bases do IBGE e da Secretaria do Tesouro Nacional para consolidar informações detalhadas sobre o cenário cultural do país.
O Índice de Cultura oferece um retrato comparativo da situação cultural dos estados, levando em consideração quatro critérios principais: instrumento político, financiamento público, mercado cultural e infraestrutura de cultura. Cada um desses eixos é fundamental para entender a saúde cultural regional e as disparidades existentes.
No eixo de instrumento político, são analisados aspectos como a presença de legislações que protegem o patrimônio cultural e o funcionamento de conselhos dedicados à preservação deste patrimônio. Em termos de financiamento público, a pesquisa considera o gasto estadual com cultura, além do apoio financeiro e não financeiro a atividades culturais e a quantidade de projetos que recebem fomento.
O mercado cultural é avaliado através de indicadores que medem o consumo das famílias em bens e serviços culturais, bem como a participação do setor cultural no total de ocupações. Por fim, a infraestrutura de cultura é medida pela disponibilidade de equipamentos como bibliotecas, arquivos, museus, teatros, centros culturais e outros espaços de entretenimento, ajustados proporcionalmente à população de cada estado.
Os Destaques do Ranking Cultural
Com base nos critérios estabelecidos, a pesquisa definiu o ranking dos cinco estados brasileiros com a melhor estrutura cultural:
- Distrito Federal — 0,613
- São Paulo — 0,592
- Rio de Janeiro — 0,564
- Amazonas — 0,481
- Rio Grande do Sul — 0,450
O Distrito Federal se destacou como o líder do ranking, apresentando resultados notáveis nas áreas de financiamento e mercado cultural. Na sequência, São Paulo e Rio de Janeiro mostraram-se fortes candidatos, impulsionados pela intensidade de suas atividades culturais e pelo volume de recursos direcionados ao setor. O Amazonas, por sua vez, emergiu como o principal destaque da região Norte, enquanto o Rio Grande do Sul se destacou por um desempenho estável em todos os indicadores.
Desigualdades Regionais na Cultura Brasileira
Na parte intermediária do ranking, estão os estados do Ceará (0,398), Goiás (0,352) e Rio Grande do Norte (0,337). Minas Gerais e Piauí apresentaram índices de 0,300, seguidos por Santa Catarina (0,290) e Pernambuco (0,250). Já na parte inferior da lista, encontramos Alagoas (0,105), Roraima (0,112), Tocantins (0,154) e Amapá (0,164).
Este estudo ressalta as diferenças significativas na estrutura institucional da cultura entre os estados, além do volume de financiamento disponível, o dinamismo do mercado cultural e a oferta de equipamentos adequados. O Índice de Cultura não apenas permite uma visão clara das desigualdades no ambiente cultural do Brasil, mas também serve como uma base valiosa para análises sobre desenvolvimento regional e formulação de políticas públicas eficazes.

