Renegociação de Dívidas Rurais pelo Banco do Brasil
Na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, o Banco do Brasil (BB) anunciou a renegociação de impressionantes R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais, um movimento significativo diante da inadimplência histórica que atinge o setor agrícola, atualmente em 6,09% da carteira do agronegócio. Este esforço ocorreu durante a vigência da Medida Provisória nº 1.314/2025, que buscava aliviar a pressão sobre produtores em um contexto de crescente inadimplência e queda de 45,4% no lucro anual do banco em 2025, resultado de um desempenho atípico no crédito rural.
Resultados das Renegociações e Impactos no Setor
Durante o período de validade da MP nº 1.314/2025, o Banco do Brasil renegociou 29 mil operações de crédito, beneficiando aproximadamente 21 mil clientes. Deste total, R$ 32,2 bilhões foram referentes a operações com recursos livres, enquanto R$ 3,3 bilhões foram obtidos a partir de linhas com recursos supervisionados. É importante destacar que essa medida tinha como objetivo fornecer instrumentos de renegociação para produtores afetados por adversidades climáticas e queda de renda. Contudo, a MP perdeu validade em 12 de fevereiro de 2026, após não ser votada pelo Congresso Nacional, encerrando assim as renegociações conforme os parâmetros estabelecidos.
Inadimplência do Agronegócio em Nível Recorde
Apesar dos esforços de renegociação, a qualidade do crédito rural do Banco do Brasil deteriorou-se acentuadamente. Em dezembro de 2025, a inadimplência no agronegócio saltou para 6,09%, comparado a 2,23% no final de 2024. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, comentou sobre a gravidade da situação: “A inadimplência do agro em 2025 cresceu em torno de 500% em relação à média histórica.” As operações com mais de 90 dias de atraso chegaram a R$ 24,7 bilhões, e a nova diretriz do Banco Central sobre provisionamento elevou o volume de créditos classificados como problemáticos para R$ 39,1 bilhões, representando 9,64% da carteira de agronegócio, que totalizou R$ 406,1 bilhões.
Impacto no Lucro do Banco
A alta inadimplência no setor refletiu-se de forma negativa no resultado financeiro do Banco do Brasil, que registrou um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões em 2025. Esse valor representa uma queda de 45,4% em relação a 2024 e o menor resultado desde 2020. No entanto, o desempenho no quarto trimestre trouxe uma surpresa ao mercado, com um lucro de R$ 5,742 bilhões, uma alta de 51,7% em relação ao trimestre anterior e R$ 1,7 bilhão acima das expectativas dos analistas. Após a divulgação, as ações ordinárias do banco subiram 4,5%, mesmo em um pregão com queda do Ibovespa.
Perspectivas para 2026 e Aportes no FGC
O Banco do Brasil projeta que a inadimplência no agronegócio diminua em 2026, impulsionada por uma safra recorde e os efeitos das renegociações realizadas. Como parte de uma estratégia de ajuste no sistema financeiro, o banco anunciou um aporte antecipado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e uma contribuição extraordinária adicional de cerca de R$ 500 milhões por ano, com o intuito de recompor o caixa do fundo após os impactos da liquidação do Banco Master.
Crescimento da Carteira de Crédito
Mesmo diante de um cenário adverso no agronegócio, a carteira total de crédito do Banco do Brasil apresentou crescimento. O crédito para pessoas físicas alcançou R$ 356,9 bilhões, com um aumento de 7,6% em 12 meses. Já para pessoas jurídicas, o montante foi de R$ 455,1 bilhões, representando um crescimento de 0,6%. A carteira do agronegócio também cresceu, alcançando R$ 406,1 bilhões, um aumento de 2,1%. Essa expansão na carteira de crédito indica um cenário de resiliência no setor, apesar das dificuldades enfrentadas pelos produtores.

