Banco de Brasília Sob Investigação da PF
O Banco de Brasília (BRB) se tornou alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) devido a supostas irregularidades em sua gestão, especialmente no que tange à tentativa de aquisição do Banco Master. Desde que Ibaneis Rocha (MDB) assumiu o governo do Distrito Federal, a instituição alterou significativamente sua política de investimentos, que tradicionalmente estava focada na administração da folha de pagamento do funcionalismo público local. A nova estratégia inclui uma diversificação em suas operações, que agora abrange áreas consideradas incomuns para um banco estatal de perfil regional.
A partir de 2020, o BRB inaugurou 88 novas unidades em sete estados do Brasil, um movimento que incluiu a abertura de agências, postos de atendimento e unidades de relacionamento. Muitas dessas instalações foram estabelecidas em localidades onde a instituição passou a gerenciar os contracheques de órgãos dos três Poderes, tanto estaduais quanto municipais, além de firmar parcerias institucionais e assumir a responsabilidade por serviços relacionados a depósitos judiciais.
Investimentos e Sigilo na Gestão
Entretanto, os valores gastos na implementação e manutenção dessas novas unidades não foram revelados publicamente. O banco optou por manter sigilo sobre essas despesas, alegando que se tratam de informações de natureza estratégica, comercial e concorrencial. Essa política de confidencialidade foi instituída na esteira de seu crescimento fora do Distrito Federal, o que tem levantado dúvidas e inquietações em relação à transparência das operações do banco.
Nos últimos cinco anos, a instituição assumiu a gestão de contracheques de dois tribunais de justiça, um governo estadual, quatro prefeituras e uma câmara municipal. Um dos contratos notáveis foi firmado com a prefeitura de João Pessoa (PB), localizada a cerca de 2,2 mil quilômetros de Brasília, marcando uma mudança significativa na abordagem operacional do banco em relação a regiões distantes da capital federal.
Expansão e Diversificação de Clientes
A carteira de clientes do BRB também inclui tribunais de justiça de outros estados, como a Paraíba, Alagoas e Tocantins, além de prefeituras de cidades como Conde (PB) e Porto Nacional (TO). Os acordos estabelecidos têm como foco o processamento de pagamentos de servidores e serviços financeiros relacionados, refletindo uma expansão considerável das atividades da instituição.
Além da gestão de salários, o banco vem participando da administração de depósitos judiciais para tribunais estaduais em Maranhão, Bahia e Paraíba, um serviço que requer a administração de valores atrelados a processos judiciais sob a responsabilidade do Poder Judiciário local. Recentemente, um convênio institucional foi firmado com o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, com sede em Curitiba, que abrange ações trabalhistas em todo o Paraná, ampliando ainda mais o alcance geográfico das operações do BRB.
Investigação em Curso
A investigação da Polícia Federal se desenrola em meio à análise da condução administrativa do Banco de Brasília e à avaliação dos riscos envolvidos em sua estratégia de expansão. Com a crescente complexidade das operações e a diversificação das suas atividades, o futuro do BRB poderá ser seriamente impactado dependendo dos desdobramentos dessa apuração.

