Uma Realidade Preocupante
Um recente relatório do ObservaDF, da Universidade de Brasília (UnB), trouxe à tona uma situação alarmante no sistema educacional do Distrito Federal: 62,3% dos alunos do ensino médio público não alcançam o nível básico de proficiência em matemática. O estudo, divulgado nesta semana, utiliza dados oficiais do desempenho escolar e revela que apenas 3,8% dos estudantes atingem níveis considerados adequados ou avançados, conforme o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
A coordenadora da pesquisa, Ana Maria Nogales, expressou sua preocupação em entrevista à TV Globo, afirmando: “Os nossos estudantes que estão concluindo o ensino médio não têm o nível básico de matemática. Não alcançam nem o nível elementar. Então, se você não tem o conhecimento básico em matemática, como pode almejar uma profissão, mesmo nas áreas de humanas? Todos nós precisamos de matemática”.
Avaliação Positiva das Escolas
Embora os dados sobre a proficiência em matemática sejam desanimadores, a pesquisa também revela que a população do Distrito Federal tem uma percepção positiva das escolas públicas. Um levantamento realizado com 1.008 moradores de 29 regiões administrativas mostrou que as escolas receberam notas entre 3,2 e 4,0 em uma escala de 1 a 5. Os itens mais bem avaliados foram a formação dos professores, o acesso às escolas, a organização e a merenda.
Entretanto, os piores aspectos avaliados foram o desempenho dos alunos em português e matemática, além da oferta de reforço escolar. O estudo também coletou opiniões de estudantes do ensino médio, que relataram problemas como troca frequente de professores, uso excessivo de videoaulas sem explicações e uma sensação de despreparo para provas importantes, como o Enem e o PAS.
“Ultimamente os professores têm só jogado conteúdo e eles não ligam muito”, comentou um estudante. Outro acrescentou: “Para você ter noção da minha escola, o professor dá aula com videoaula, ele tá lá na sala. Aí ele coloca aula do YouTube pra dar aula pra gente”.
Desempenho em Queda
O estudo também revela que o desempenho dos alunos do DF piora à medida que avançam na vida escolar. O Distrito Federal ocupa atualmente a 8ª posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental, mas desce para a 17ª posição nos anos finais e para a 18ª posição no ensino médio, entre os estados brasileiros. Isso indica que, quanto mais os alunos progridem, mais dificultoso se torna seu desempenho coletivo.
Metas do Plano Distrital de Educação em Atraso
O documento faz uma análise comparativa com o Relatório de Monitoramento do Plano Distrital de Educação (PDE) e revela que várias metas permanecem inatingíveis, como a oferta de ensino em tempo integral. De acordo com dados da Secretaria de Educação citados no relatório, os alunos da rede pública do DF têm, em média, 5,4 horas-aula por dia no ensino fundamental e 5,2 horas no ensino médio, que são muitos apreciados pela população na pesquisa.
No entanto, o Plano Distrital de Educação (PDE) tinha como meta que até 2024, pelo menos 33% dos alunos da educação básica estivessem em tempo integral, em 60% das escolas públicas. Contudo, isso não se concretizou. Em 2025, apenas 25.305 estudantes do ensino fundamental (9,8% das matrículas) e 4.594 do ensino médio (6,1% das matrículas) estão em tempo integral.
A Secretaria de Educação destacou que o PDE teve vigência até 2025 e que um projeto de lei para prorrogar o plano está em tramitação na Câmara Legislativa. Além disso, a pasta informou que está trabalhando na elaboração de um novo plano, que será alinhado ao futuro Plano Nacional de Educação.

