Pressão para Internação na UTI
Um dos questionamentos mais preocupantes levantados pela família de uma vítima de um caso recente no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foi o motivo pelo qual a paciente foi internada na UTI, considerando que sua condição de saúde era relativamente simples.
De acordo com informações apuradas pela TV Globo, funcionários do hospital revelaram que se sentiam pressionados por um coordenador da unidade a encaminhar pacientes para a terapia intensiva, o que levantou preocupações sobre a ética dos procedimentos adotados.
Um médico que preferiu permanecer anônimo relatou: “Recebemos constantemente notificações sobre a disponibilidade de leitos na UTI e somos coagidos a manter um número mínimo de internações. Essa pressão é constante e nos faz sentir desconfortáveis”.
O Hospital Anchieta, por sua vez, emitiu uma nota afirmando que todos os encaminhamentos para a UTI são realizados com base em critérios técnicos estabelecidos pela equipe médica, que se fundamenta em protocolos rigorosos e em exames clínicos precisos.
Condições de Saúde Discutíveis
A família de Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, uma das pacientes que perdeu a vida no hospital, relatou que sua mãe tinha apenas um quadro simples de constipação. Mesmo assim, ela foi transferida para a UTI. “Ela não apresentava alteração nos exames de sangue ou na tomografia. Era apenas uma constipação e ela poderia ter sido medicada e voltado para casa”, explicou Kássia Leão, a filha da paciente.
Além desse caso, outra denúncia veio à tona, envolvendo a internação de um paciente em condições que a sua esposa considerou desnecessárias. Neide Daiane, residente em Ceilândia, relatou que seu marido foi internado na UTI devido a uma infecção urinária. “Ele poderia ter sido tratado em casa com um medicamento. Ele estava consciente, conversando, e só precisava de um remédio para dor”, afirmou Neide.
Metas de Internação e Pressão na Equipe Médica
Profissionais do Hospital Anchieta manifestaram sua preocupação com as metas de internação impostas pela coordenação do Pronto Socorro. Um médico comentou sobre a pressão que a equipe enfrenta para atender a essas exigências. Em mensagens enviadas a um grupo de trabalho do hospital, o coordenador Sávio César Oliveira Parreira solicitou atenção redobrada aos critérios de internação na UTI, destacando a ociosidade de muitos leitos. “Precisamos nos atentar aos critérios de UTI, muitos leitos ociosos, e, se necessário, não teremos dificuldades em internar”, enfatizou o coordenador.
Segundo informações do Conselho Federal de Medicina, Sávio César Oliveira Parreira é médico formado há mais de uma década e possui registros para atuar em Goiás, no Distrito Federal e em São Paulo, com especialização em medicina de emergência na capital.
A situação no Hospital Anchieta levanta sérias questões sobre a gestão das internações e o bem-estar dos pacientes, além de destacar a importância de protocolos claros e éticos na área da saúde.

