Pressão do PT em São Paulo
O clima nos bastidores da política paulista está tenso. A pressão exercida por um grupo dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) tem como foco a possibilidade de que o vice-presidente Geraldo Alckmin dispute uma vaga majoritária nas eleições de São Paulo. No entanto, a resistência de Alckmin é visível. Segundo relatos de pessoas próximas, o ex-tucano não demonstra interesse em abrir mão de sua posição como vice-presidente. Em contrapartida, há quem acredite que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, possa ser convencido a entrar na disputa, mesmo que ele mesmo tenha afirmado que não tem intenção de concorrer.
A relação entre Alckmin e Lula, que se tornaram aliados políticos durante a campanha de 2022, é marcada por um forte laço de confiança. Durante o mandato, eles estabeleceram um diálogo direto, sem intermediários, o que fortaleceu sua parceria. A resistência de Alckmin em se candidatar a um cargo em São Paulo não impede que ele escute as orientações do presidente, conforme afirmam seus aliados.
A Permanência de Alckmin na Chapa
A discussão sobre a permanência de Alckmin na chapa ganhou destaque após Lula mencionar a possibilidade de excluir o vice de uma candidatura à Presidência, um movimento que se alinha com a estratégia do PT de buscar novas alianças, como a com o MDB. Em uma entrevista ao Portal UOL, Lula destacou que tanto Alckmin quanto Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, têm papéis importantes a desempenhar em São Paulo.
“Temos uma base forte em São Paulo e condições de vencer as eleições”, declarou Lula, enfatizando que ainda não conversou com Haddad ou Alckmin sobre suas intenções políticas, mas que todos têm um papel a cumprir.
Importância do PSB na Aliança
O PSB sustenta que a presença de Alckmin como ministro de Indústria e Comércio tem sido crucial ao longo do governo. O partido considera sua posição não apenas simbólica, mas estratégica, especialmente com a aproximação das discussões sobre a sucessão presidencial. A manutenção de Alckmin poderia assegurar um maior poder de barganha para o PSB em negociações futuras.
Neste fim de semana, Lula e João Campos, que preside o PSB, se encontrarão em Salvador durante a celebração do aniversário do PT. Campos ouvirá atentamente os posicionamentos de Alckmin antes de definir seu discurso, mas a expectativa é de que ele defenda a continuidade da chapa com Alckmin.
O Papel de Haddad e as Pressões Internas
No PT, a ideia predominante é que Haddad é a única opção viável para a candidatura ao governo de São Paulo. Informações de colaboradores próximos a Lula indicam que o presidente mencionou Alckmin para não deixar Haddad isolado diante das pressões internas que o ministro tem enfrentado.
Nos últimos dias, colegas de governo, como Camilo Santana e Gleisi Hoffmann, reforçaram a necessidade de Haddad na corrida, colocando pressão sobre sua candidatura. Durante o evento de aniversário do PT na Bahia, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, também defendeu a manutenção de Alckmin na vice-presidência e apoiou Haddad como candidato ao governo.
Expectativas para o Futuro
Os aliados de Lula acreditam que Alckmin deve permanecer em sua posição atual, e uma mudança na vice só ocorreria em caso de alterações significativas no cenário político, como a inclusão formal de partidos como MDB ou Republicanos na chapa, algo que não parece estar em vista no momento. De acordo com esses petistas, Alckmin poderia também desempenhar um papel importante como coordenador da campanha de Lula em São Paulo sem necessariamente se candidatar.
Para Alckmin, ter alcançado o cargo de vice-presidente e ministro é um sonho realizado, conforme afirmam pessoas próximas a ele. No exercício de suas funções, ele manteve boas relações com diversos setores, incluindo o empresariado e prefeitos, e desempenhou funções estratégicas, como mediador na crise do tarifaço nos Estados Unidos.
Desafios Eleitorais em São Paulo
A pressão para que um nome de peso dispute o governo de São Paulo está atrelada à importância do estado nas eleições presidenciais. Embora a esperança de conquistar o governo paulista não seja alta, o PT reconhece a relevância de garantir um palanque forte para Lula. Em 2022, a presença de Haddad no segundo turno foi vista como decisiva para a campanha presidencial do petista, que, apesar de ter vencido Bolsonaro na capital, não conseguiu reverter a situação no estado como um todo.
As dificuldades para o PT em São Paulo são evidentes, uma vez que o estado, historicamente, tende a ser conservador. O atual governador, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, leva vantagem nas pesquisas, e a expectativa é que os petistas consigam ao menos garantir que Lula tenha um suporte robusto na maior unidade federativa do Brasil.

