Banco de Brasília em Dificuldades
BRASÍLIA – O Banco de Brasília (BRB) está em processo de avaliação das perdas decorrentes de sua associação com o Banco Master. Especialistas alertam que a instituição pode ser forçada a reduzir seu tamanho ou buscar um aporte financeiro maior do governo do Distrito Federal, que já enfrenta dificuldades orçamentárias, para lidar com essa situação.
“Estima-se que o ajuste necessário possa ultrapassar R$ 5 bilhões (considerando provisões)”, comentou Ailton de Aquino em entrevista à PF no dia 30 de dezembro.
O BRB precisa apresentar até o final de março os balanços relativos ao terceiro e quarto trimestres de 2025, documentos que mostrarão o impacto das operações com o Master. O Banco Central também solicitará um plano de reestruturação viável para lidar com esse desfalque.
Transações Questionáveis e Auditorias
A aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado do Master, que foram reveladas como originadas de uma empresa de fachada identificada pela Polícia Federal, levantou preocupações. Após a identificação de irregularidades, o BRB trocou essas carteiras por outros ativos do Master, que também podem estar comprometidos ou ter um valor inferior ao esperado. Uma auditoria interna está em andamento para avaliar esses números e seus impactos no balanço da instituição.
Com a necessidade urgente de levantar recursos para cobrir as perdas, o BRB está considerando diversas alternativas, incluindo a venda de ativos, o lançamento de um fundo imobiliário, e a possibilidade de um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A combinação de uma redução no tamanho da instituição e os aportes do governo do DF parece ser o caminho mais viável.
Provisões e Ajustes Necessários
“Quando um banco faz provisões, isso indica que ele está alocando recursos para cobrir perdas. Nesse contexto, ele busca vender ativos para gerar receitas e mitigar o impacto financeiro”, explicou Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Ratings. Ele acrescentou que o BRB também pode receber aportes de seu controlador para fortalecer seu patrimônio líquido e permanecer dentro dos padrões mínimos exigidos.
Com a reavaliação de ativos, o BRB pode se deparar com um desvio significativo em relação ao Índice de Basileia, um indicador de prudência que exige que as instituições financeiras mantenham um nível adequado de patrimônio em relação aos seus ativos. Isso pode resultar em patrimônio líquido negativo, uma situação que requer atenção imediata.
Expectativa de Reestruturação
Caso a situação não seja revertida, o Banco Central exigirá um plano de reestruturação para que as finanças do BRB voltem aos níveis adequados de prudência.
Em uma nota divulgada na terça-feira, 3, o BRB afirmou ter encontrado “achados relevantes” durante uma auditoria preliminar realizada em parceria com a Machado & Meyer e apoio técnico da Kroll. Esses achados foram comunicados à Polícia Federal e ao Banco Central, envolvendo alegações de possíveis “atos ilícitos” por parte da gestão anterior do banco.
De acordo com o último balanço apresentado pelo BRB referente ao segundo trimestre de 2025, seus ativos totais totalizavam R$ 74,5 bilhões. O banco ainda não divulgou o valor ajustado a ser considerado após a compra das dívidas do Master e a troca de ativos. O patrimônio líquido estava estimado em R$ 4 bilhões, o que significa que uma queda de R$ 5 bilhões pode resultar em um patrimônio negativo.
Alternativas para Recuperação
O especialista sugeriu que o BRB pode antecipar a venda de carteiras com deságio, o que significaria uma perda inicial, mas poderia eventualmente ajudar a reequilibrar o capital e melhorar a alavancagem do banco dentro dos parâmetros do Índice de Basileia. “É uma situação paradoxal: perder algo agora pode levar a ganhos futuros”, concluiu.

