Ato Político e Denúncia de Irregularidades
Na tarde de segunda-feira (26), militantes jovens e representantes de organizações estudantis se reuniram na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, em um ato político que visava denunciar o suposto envolvimento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no polêmico caso do Banco Master. Os manifestantes se propuseram a dialogar com a população, trazendo à tona a utilização de recursos do Banco de Brasília (BRB) para salvar uma instituição financeira privada sob investigação.
A manifestação contou com a participação de jovens de diferentes coletivos políticos, que destacaram a contradição na atual gestão, que enfrenta sérias dificuldades nas áreas de saúde, educação, transporte e moradia, enquanto bilhões de reais são direcionados para operações que beneficiam o Banco Master, envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção do país.
Críticas à Gestão de Ibaneis Rocha
Para Sofia Cartaxo, militante do Levante Popular da Juventude, a situação não deve ser analisada de forma isolada. “Temos uma análise de sete anos de governo Ibaneis que evidencia uma gestão de extrema direita, que desvia a atenção da população. Em vez de investir em hospitais e melhorar a educação, ele cria cortinas de fumaça e governa em benefício de banqueiros e empreiteiras”, declarou.
Segundo Cartaxo, existem evidências públicas de uma relação próxima entre o governador e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. “O próprio Daniel já afirmou que teve encontros com Ibaneis. Enquanto Brasília luta por melhorias, o governador destinou mais de 12 bilhões ao Banco Master. O rombo do BRB é resultado de uma gestão que prioriza interesses financeiros em detrimento das necessidades do povo”, completou.
Pedido de Impeachment e Mobilização Popular
Na mesma data do ato, cinco partidos de oposição protocolaram um pedido de impeachment no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relação ao governador, com a intenção de investigar possíveis crimes e atos de improbidade na gestão do BRB. Durante a manifestação, os participantes enfatizaram a responsabilidade de Ibaneis na condução do banco, que é uma sociedade de economia mista com capital aberto, sendo o Governo do Distrito Federal seu acionista majoritário e controlador.
Pedro Oliveira, membro do coletivo Juventude Fogo no Pavilhão, afirmou que o ato tinha como objetivo alertar a população. “É inaceitável que a população do DF sofra pela falta de serviços públicos enquanto o governador desvia recursos para beneficiar seu amigo. O pedido de impeachment já foi protocolado e continuaremos a mobilização”, destacou.
Impactos da Crise Financeira e Responsabilidade Pública
Oliveira também ressaltou que a situação afeta diretamente a classe trabalhadora, já que o BRB desempenha um papel crucial no financiamento de políticas públicas. “Essa conta vai recair sobre quem trabalha duro para sustentar a cidade. Estamos aqui para afirmar que essa conta não é do trabalhador e não aceitaremos ser responsabilizados por essa crise”, afirmou.
Pela sua vez, Maktus Fabiano, coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, enfatizou que o BRB foi usado como ferramenta para resgatar um banco privado em dificuldades. “Ibaneis utilizou o Banco de Brasília para tentar salvar o Banco Master, que está envolvido em escândalos de corrupção. É inaceitável que o dinheiro público seja direcionado para enriquecer banqueiros em vez de ser investido em áreas essenciais como saúde e educação”, criticou.
O Silêncio e a Importância da Mobilização Popular
Fabiano ainda apontou que o silêncio de figuras políticas conservadoras acentua a gravidade do caso. “Há um silenciamento generalizado. Muitos políticos do DF não se pronunciam sobre o escândalo do Banco Master. Por isso, ações como essa são essenciais para trazer a discussão à tona”, disse.
Hugo Leopoldo, membro da Kizomba, comentou sobre o avanço das investigações e a atuação dos órgãos de controle. “Daniel Vorcaro já foi interrogado e confirmou que se encontrou diversas vezes com o governador para discutir a venda do Banco Master ao BRB. Se não fosse a atuação de deputados progressistas, o BRB poderia ter adquirido um banco endividado, causando um rombo de bilhões”, alertou.
Para Leopoldo, a situação teria consequências diretas para a população. “O BRB é um banco estatal e sua função deveria ser financiar saúde, educação e transporte. Um rombo desse porte inviabiliza esses investimentos. Os prejuízos terão que ser arcados pela população do DF”, destacou.
Um Chamado à Consciência Política
Em um ano eleitoral, os manifestantes clamaram para que esse debate alcance as ruas e as urnas. “É fundamental que a população brasiliense compreenda a luta de classes que está em curso e saiba distinguir quem realmente governa para o povo e quem age em prol de seus aliados”, concluiu Sofia Cartaxo, reforçando a importância do engajamento cívico.

