Do luxo à decadência
Inaugurado em 1973, o Torre Palace foi um marco na história de Brasília, representando o luxo em uma cidade que crescia rapidamente. Com classificação de quatro estrelas, o hotel, idealizado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj, possuía 14 andares e 140 apartamentos, oferecendo uma vista deslumbrante de pontos icônicos como o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios.
Por 40 anos, o hotel serviu como um reduto para personalidades e celebridades, mas, em 2013, suas portas foram fechadas. O que antes era um símbolo de ostentação se tornou um campo de disputas familiares e judiciais, culminando na decisão de implodir o prédio neste domingo. O local dará origem a um novo empreendimento de luxo, embora detalhes ainda estejam indefinidos.
Disputas familiares e abandono
A morte de Jibran El-Hadj, ocorrida em 2000, deixou um legado de conflitos entre seus herdeiros, que não chegaram a um consenso sobre o futuro do hotel. Com um patrimônio avaliado em R$ 200 milhões, a situação se agravou em 2007, quando três dos seis filhos entraram na justiça, reivindicando parte da herança. A venda do Torre Palace a uma construtora, por R$ 51 milhões, foi barrada pela Justiça, que já havia penhorado o imóvel.
O abandono do edifício culminou em um cenário de degradação. Em 2015, a estrutura virou um espaço de uso indevido, com moradores de rua e atos de vandalismo se tornando comuns, o que gerou queixas de vizinhos e funcionários de hotéis próximos.
A operação de desocupação
A situação do Torre Palace chegou ao seu ápice em uma operação policial que visava desocupar o prédio ocupado. O ato foi marcado por confrontos intensos entre policiais e ocupantes, onde foram empregados helicópteros, balas de borracha e bombas de efeito moral. A resistência dos ocupantes foi feroz, culminando em incêndios e barricadas improvisadas dentro do hotel.
Cerca de 200 homens das forças policiais participaram da ação, que se estendeu por 40 minutos, resultando em detenções e ferimentos. Após essa operação, o local foi momentaneamente libertado, mas a tranquilidade durou pouco.
Um retorno ao descaso
Infelizmente, dois anos após a desocupação, o Torre Palace voltou a ser frequentado por usuários de drogas, mesmo com as entradas principais fechadas. Moradores do Setor Hoteleiro Norte relataram que algumas pessoas ainda conseguiam acessar o local, escalando as paredes para chegar aos andares superiores.
Leilão frustrado e buscas por soluções
Em 2020, o hotel foi levado a leilão com valor estimado em R$ 35 milhões, mas não recebeu ofertas durante o pregão online. A venda, determinada pela Justiça do Trabalho, visava quitar dívidas trabalhistas de ex-funcionários. Após uma segunda tentativa de leilão, o imóvel foi arrematado por R$ 17,6 milhões, mas a empresa desistiu da compra.
A luta pela demolição
O governo do Distrito Federal tentou, em 2019, demolir o Torre Palace devido ao seu estado de abandono e ocupações irregulares. No entanto, um laudo pericial indicou que, apesar da precariedade, o prédio não apresentava risco imediato de colapso. O juiz decidiu então que os proprietários deveriam realizar obras de manutenção, sob pena de multa diária.
Um novo capítulo se inicia
Com a implosão marcada para este domingo, o Torre Palace, que já foi símbolo de elegância e história em Brasília, se despede de maneira dramática, oferecendo espaço para um novo empreendimento. A expectativa agora é saber que tipo de projeto ocupará o local, que carrega tantas memórias e histórias de uma Brasília em constante transformação.

