Entidades Hospitalares se Manifestam sobre Segurança
As investigações que apuram a morte de pelo menos três pacientes em um hospital particular no Distrito Federal geraram forte repercussão e preocupação entre entidades do setor de saúde. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) emitiu uma nota ressaltando que episódios como os ocorridos no Hospital Anchieta de Taguatinga evidenciam “condutas individuais gravíssimas”, que contradizem os princípios éticos e legais da assistência à saúde no Brasil. A AMIB enfatizou que tais casos não representam a prática diária nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do país.
A AMIB afirmou, ainda, que as UTIs são rigorosamente reguladas e operam sob protocolos assistenciais estritos, com monitoramento contínuo e colaboração de equipes multiprofissionais, essenciais para a recuperação e a preservação da vida dos pacientes.
Investigação e Procedimentos Éticos em Andamento
A Polícia Civil continua as investigações do caso, enquanto o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) iniciou um Procedimento Preliminar para averiguar possíveis infrações éticas dos profissionais envolvidos. O procurador-geral do Coren-DF, Jonathan Rodrigues, revelou que o foco inicial é coletar indícios que possam levar à abertura de um processo ético-disciplinar.
Rodrigues explicou que a investigação preliminar busca identificar elementos que justifiquem ações disciplinares. “Caso as infrações sejam confirmadas, poderão ser aplicadas sanções como a suspensão cautelar dos profissionais, sempre respeitando os princípios da defesa e do contraditório”, afirmou.
Protocolos de Segurança nas Unidades de Saúde
A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) também se pronunciou. Em comunicado, destacou que a segurança do paciente no ambiente hospitalar é garantida por um “sistema robusto de barreiras de defesa”. As unidades devem seguir as Metas Internacionais de Segurança do Paciente (MISP), estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), além das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 36/2013.
Entre os principais protocolos de segurança estão:
- Identificação Segura: Utilização de múltiplos identificadores antes de qualquer intervenção;
- Segurança Medicamentosa: Implementação de checagem dupla para a administração de medicamentos;
- Comunicação Eficaz: Adoção de técnicas padronizadas para a troca de informações entre equipes;
- Gestão de Acessos: Uso de prontuários eletrônicos e controle biométrico;
- Cultura de Segurança: Monitoramento contínuo e análise de incidentes.
A FBH ressaltou que há uma padronização nacional dos protocolos de segurança, regida pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) e que cada instituição é obrigada a ter um Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), responsável pela implementação dos planos de segurança.
Preocupações com a Saúde Mental dos Profissionais
A saúde mental dos colaboradores também é uma prioridade. Os hospitais devem seguir as Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, incluindo a gestão de riscos psicossociais, promovendo exames médicos periódicos e disponibilizando apoio psicológico para os profissionais que enfrentam estresse ou síndrome de Burnout.
A FBH acrescentou que eventos isolados, como os investigados no DF, ressaltam a necessidade de um maior rigor técnico e ético nas práticas de assistência à saúde. “Esses casos devem servir como um alerta para reforçar os protocolos e garantir a segurança no atendimento”, concluiu a entidade.
Desdobramentos da Situação no Hospital Anchieta
A administração do Hospital Anchieta foi contatada pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. O hospital, por meio de nota à Agência Brasil, anunciou a demissão dos três técnicos de enfermagem envolvidos e informou que acionou a Polícia Civil após constatar circunstâncias atípicas nas mortes.
As mortes ocorreram entre os dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, mas só foram divulgadas em 19 de janeiro de 2026. Dois suspeitos foram detidos no dia 11 de janeiro, e uma terceira mulher foi presa no dia 15. As autoridades ainda não revelaram os nomes dos investigados. Durante uma coletiva de imprensa, o delegado Wisllei Salomão relatou que as vítimas incluem uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 e um homem de 33 anos, observando: “Eles foram mortos por quem deveria cuidar deles”.

