Saúde Financeira do BRB
Nelson de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB), demonstrou confiança em relação à determinação do Banco Central que exige um provisionamento de R$ 2,6 bilhões, decorrente das operações com o Banco Master. Assumindo a presidência em novembro, Souza garantiu que o BRB permanece robusto e avalia alternativas para manter sua saúde financeira, incluindo um possível empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A seguir, destacamos os principais trechos de sua recente entrevista.
Análise do Provisionamento
Em relação ao provisionamento de R$ 2,6 bilhões, Souza comentou: “Há muita especulação em torno desse valor. O único documento que nos foi apresentado pelo Banco Central, no dia 7 de janeiro de 2026, é o primeiro termo de comparecimento, no qual é definido que devemos realizar esse provisionamento”. O presidente ressaltou que o BRB possui R$ 80 bilhões em ativos e um patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, além de um patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões. “Para suportar o valor da provisão, seriam necessários, no mínimo, cerca de R$ 1,2 bilhão de capital adicional. Contudo, independente da quantia final, o banco está sólido”, afirmou Souza, acrescentando que a instituição conta com cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais.
Instrumentos de Apoio Financeiro
Questionado sobre os instrumentos disponíveis para enfrentar a situação, o presidente destacou que a primeira opção seria um empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos, já que o BRB é contribuinte associado. Ele também mencionou outras possibilidades, como fundos de investimento imobiliário que incluem imóveis do Governo do Distrito Federal, ações de empresas estatais, recebíveis e, se necessário, aportes diretos do governo. “Temos inúmeras opções à disposição”, completou.
Impactos do Escândalo no BRB
Sobre o impacto de recentes escândalos financeiros no setor, Souza observou que o BRB diferencia-se de outras instituições. “Muitos bancos não têm o tesouro de um estado como controlador, ao contrário do que ocorre com o BRB, que conta com o apoio do Governo do Distrito Federal e da União. Isso faz toda a diferença”, explicou.
Confiança na Instituição
Quando questionado sobre a confiança do público na saúde financeira do banco, o presidente foi enfático: “As pessoas podem confiar, pois o BRB não vai quebrar. Ao contrário, sairemos mais fortes dessa situação. O banco é credor e, se algum recurso foi retirado, quem o retirou arcará com as consequências”. Ele frisou que qualquer análise sobre perdas será feita pelas instâncias competentes e que o foco do BRB está em priorizar programas que atendam à população do Distrito Federal e áreas circunvizinhas.
Diálogo com o Mercado
Souza também comentou sobre a comunicação com o Banco Central e o mercado financeiro. “O diálogo tem sido excelente. Mantenho um contato contínuo com o Banco Central e instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal e diversos bancos privados, como Itaú, Bradesco e BTG. É importante manter todos informados sobre liquidez e capital”, afirmou. Ele ainda destacou que, após a liquidação do Master, houve uma corrida por liquidez, mas que a situação já foi estabilizada, com um saldo positivo em torno de R$ 2 bilhões.
Otimismo para o Futuro
Em relação ao futuro do BRB, o presidente expressou otimismo. “Estamos em um processo de ajuste, cortando despesas e priorizando investimentos em Brasília e região. Com o que sobrar, poderemos ajudar outros estados, sempre dando prioridade aos nossos parceiros”, disse. Quando questionado sobre possíveis surpresas ao assumir a presidência, Souza mencionou que ficou surpreso ao notar que nenhum banco operava interbancariamente com o BRB. “Hoje, todos os principais bancos estão operando normalmente conosco. O BRB estava em uma situação isolada, mas isso já mudou”, destacou.
Uma Mensagem aos Brasilienses
Por fim, o presidente deixou uma mensagem de tranquilidade aos brasilienses: “O BRB é sólido, possui ativos e um governo que o apoia. Ele é um patrimônio da população de Brasília, e estamos trabalhando para reconstruir a identidade do banco, priorizando micro e pequenas empresas e iniciativas locais, como campeonatos esportivos.”

