Iniciativa Inédita do GDF
O Governo do Distrito Federal (GDF) deu um passo significativo na política de inclusão produtiva ao criar 15 cargos comissionados, exclusivamente destinados a pessoas que viveram nas ruas. Essa iniciativa inovadora faz parte de um plano mais amplo para atender a essa população, buscando transformar histórias marcadas por dificuldades em trajetórias que promovam trabalho, renda e acesso a moradia.
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, ressalta que cada contratação é reflexo de uma história única. “Quando falamos de população em situação de rua, é comum que se faça uma generalização, mas, na verdade, são vidas com narrativas diversas, frequentemente marcadas por rompimentos de vínculos familiares, problemas de saúde mental ou dependência química. A abordagem deve ser individualizada”, afirma.
Reconstruindo a Autonomia
Marra enfatiza que a política de empregabilidade é crucial para restaurar a autonomia dessas pessoas. “A assistência social oferece o mínimo necessário para garantir dignidade e esperança. No entanto, a inclusão produtiva é o elemento que realmente propicia a mudança. A solução não é simples: disponibilizar uma vaga de emprego não é suficiente se a pessoa ainda não está preparada para arcar com essa responsabilidade. É um esforço coletivo do GDF que visa auxiliar na superação da vulnerabilidade extrema”, explica.
A secretária aponta que os cargos comissionados são apenas uma parte das ferramentas disponíveis para apoiar essa população. “Havia uma legislação antiga que nunca tinha sido efetivamente aplicada. O governador editou um decreto que assegura 2% das vagas nas empresas contratadas e também garante nomeações nas secretarias. Essas pessoas não apenas ocupam cargos, mas também participam ativamente da formulação de políticas voltadas a seus semelhantes, transformando suas próprias vidas”, complementa.
Resultados e Expectativas
De acordo com Ana Paula Marra, os resultados da iniciativa já são perceptíveis. “Quando você olha para essas pessoas com dignidade, quando alguém se lembra do nome delas e conhece a história por trás de cada uma, isso muda a dinâmica completamente. É assim que se criam condições reais para que consigam entrar no mercado de trabalho e reconstruir suas vidas”, avalia a titular da SEDES-DF.
Gustavo Rocha, secretário-chefe da Casa Civil e responsável pela coordenação do plano, destaca que o objetivo maior é proporcionar condições concretas para que as pessoas deixem a situação de rua de forma sustentável. “Não adianta apenas retirar alguém de um ponto da cidade sem oferecer alternativas reais. O plano distrital é desenhado para assegurar que essas pessoas tenham a possibilidade de sair da rua”, ressalta. Rocha explica que a proposta foi elaborada a partir de um diagnóstico técnico que envolveu vários órgãos. “Fizemos um mapeamento do perfil dessa população e identificamos as necessidades: moradia, abrigo, qualificação, educação para os filhos e até cuidados com os animais de estimação. Sem trabalho, fica impossível romper com o ciclo da rua.”

