Crescimento das Vendas de Carros Elétricos no DF
O Distrito Federal tem se destacado cada vez mais no cenário nacional de vendas de veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o DF contabilizou 21.639 veículos leves eletrificados vendidos no ano passado, ficando atrás apenas de São Paulo, que registrou 68.618 unidades. As vendas em 2024 mostram um aumento impressionante de 42,73% em comparação ao ano anterior, com um salto ainda maior de 55,45% quando analisamos apenas os meses de dezembro de 2024 e 2025, onde as vendas passaram de 1.964 para 3.053 veículos.
É importante destacar que os chamados veículos eletrificados abrangem não apenas os 100% elétricos (BEVs), mas também híbridos plug-in (PHEVs) e híbridos que não precisam de recarga externa (HEV e HEV Flex).
Desempenho Considerado Notável
Em entrevista ao Metrópoles, Ricardo Bastos, presidente da ABVE, avaliou os números de vendas no DF como “expressivos”, ressaltando que o crescimento local superou a média nacional de eletrificação. “O desempenho no DF é mais de dez vezes superior ao crescimento da indústria automobilística em geral, evidenciando uma performance notável”, comentou.
Segundo Bastos, vários fatores têm contribuído para esse destaque. “Os incentivos fiscais relacionados ao IPVA são um atrativo direto para quem opta por veículos elétricos”, afirmou. “Além disso, o perfil do consumidor no DF, que demonstra interesse por tecnologias inovadoras e uma preocupação com as questões ambientais, impulsiona ainda mais a adesão a esse tipo de automóvel”, completou.
Essa combinação de fatores está solidificando o DF como um líder na eletrificação veicular no Brasil. Em alguns meses do ano passado, Brasília até superou São Paulo em vendas, quando analisada individualmente.
Desafios da Infraestrutura
Entretanto, a ascensão dos veículos elétricos em Brasília traz à tona uma questão importante: a predominância de edifícios verticais nas asas Norte e Sul. Para entender esse fenômeno, conversamos com Delzio Oliveira, assessor jurídico do SindiCONDOMÍNIO-DF. Ele destacou que a mudança para veículos elétricos é positiva para o meio ambiente, mas que existem desafios estruturais a serem enfrentados.
“Os carros elétricos representam uma tendência crescente e a substituição de veículos à combustão por modelos elétricos é essencial para reduzir a poluição. Esperamos que, em breve, todos os condomínios possam se beneficiar dessa tecnologia”, apontou Oliveira. Contudo, ele advertiu que a infraestrutura elétrica de muitos prédios antigos não está preparada para suportar as demandas de carregamento dos veículos elétricos.
“A maioria dos apartamentos não possui a capacidade elétrica necessária para essas instalações, o que limita a aplicação a um número restrito de unidades, frequentemente abaixo de 10%”, observou.
Normas e Diretrizes em Segurança
Com relação às normas estruturais, em agosto do ano passado, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM/LIGABOM) lançou diretrizes sobre garagens e sistemas de alimentação de veículos elétricos, visando aumentar a segurança e o controle de riscos em estacionamentos e pontos de recarga.
Este documento serve como referência técnica para todos os setores envolvidos, incluindo construção civil, indústria automotiva, mercado imobiliário e síndicos, proporcionando diretrizes atualizadas e alinhadas às melhores práticas de segurança.
A Experiência do Usuário
Como é viver com um carro elétrico no DF? Rogério Markiewicz, arquiteto de 61 anos, trocou seu veículo à combustão por um elétrico há uma década. No início, ele enfrentou dificuldades, como a falta de pontos de recarga disponíveis em sua garagem. “Tive que convencer o condomínio a instalar um ponto de recarga. Enquanto isso, usava carregadores públicos”, relembrou.
Com o tempo, Markiewicz se adaptou e percebeu que a economia era um dos principais benefícios, reduzindo seus gastos com combustível em até 75%. “Antes, eu gastava mais de R$ 1 mil por mês com gasolina; hoje, esse valor caiu drasticamente”, contou.
Preocupações e o Futuro da Mobilidade Elétrica
Apesar do crescimento, as entidades ainda se preocupam com questões de segurança e a ampliação da infraestrutura. Oliveira ressaltou que algumas instalações em condomínios foram feitas sem a devida análise técnica. “Isso gera apreensão, pois a falta de conformidade com as normas de segurança pode trazer riscos”, alertou.
Para impulsionar ainda mais a eletrificação, a disponibilidade de pontos de recarga rápidos é fundamental, segundo Bastos. O Metrópoles buscou informações junto ao governo do DF sobre incentivos além da isenção do IPVA e projetos de instalação de pontos de recarga, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta. A expectativa é que futuros posicionamentos esclareçam as ações do governo nessa área.

